A felicidade não se compra, atitude também não.

Felicidade e atitude não se compram

A "Felicidade Não se Compra" é a tradução brasileira do filme de Frank Capra, "It´s a Wonderful Life", feito nos anos 30 e muito fortemente focado no momento da família americana momento pós-Depressão. Era época de caos econômico, e pode-se dizer que foi a primeira vez que a sociedade americana sentia o peso de um conflito que não foi gerado por guerra, já que a Europa ainda sentia os efeitos do fim da I Guerra Mundial.

A situação de fragilidade de um empresário arruinado por negócios desonestos de um cliente é a tônica da história, e sua redenção vem por um anjo que aponta o quanto o empresário foi importante para a vida de muitas pessoas. Foi, na época, um clássico natalino, mostrando que a situação financeira realmente influi no equilíbrio do individuo, mas não é determinante para alcançar a felicidade ou a satisfação com a vida.

No entanto, quase oito décadas depois deste filme, ainda é freqüente a pergunta sobre a influência do dinheiro num quadro de felicidade. Há na atualidade o questionamento do nível financeiro/econômico de uma sociedade na relação com as diferenças e desajustes sociais - como a comum justificativa da criminalidade, desrespeito com o ser humano e outras mazelas por conta da situação econômica. Adianto que discordo em muito deste pensamento.

É claro que queremos uma sociedade mais justa, no sentido de uso justo e ético dos recursos disponíveis. Pagamos impostos para termos serviços de qualidade para toda a população - coisa que não acontece plenamente. Entretanto, gosto de lembrar que muita gente que teve acesso a bons recursos não necessariamente fez uso inteligente deles; e outros, que tiveram menores chances do ponto de vista econômico conseguiram tirar o melhor do que dispunham e escreveram uma história mais próspera.

A recente matéria sobre o brasileiro Carlos Saldanha, carioca vindo de família de classe média baixa e hoje responsável pelos principais sucessos do cinema de animação - foi o criador e executor do longa Rio, que conta a história de uma ararinha azul em terras americanas - mostra bem que persistência e tenacidade fizeram a trilha do sucesso deste brasileiro num setor da indústria de entretenimento considerado inacessível para quem viesse do chamado Terceiro Mundo. Saldanha sempre quis trabalhar com animações, e na trajetória precisou planejar sua vida financeira, trabalhar com afinco, dividir seu tempo para atender tanto às exigências do mercado de animação - que tem na publicidade seu principal filão - quanto a um cotidiano de família, filhos, despesas e outras preocupações que são do nosso cotidiano. Lembro que Saldanha precisou de longos dez anos para enfim poder mostrar um pouco de seu potencial numa participação do desenho "A Era do Gelo", na programação visual de um único personagem.

Tenho certeza que além deste exemplo você já ouviu outros, inclusive pessoas que não são famosas, mas estão no cotidiano perseverando e colhendo resultados. Vão desde a diarista que juntou dinheiro suficiente para comprar uma casa num local seguro e planeja continuar progredindo para seu bem estar e dos filhos até quem começa desacreditada e fadada a não dar certo, como a famosa garota de programa que saiu da casa dos pais, viveu maus bocados e resolveu escrever um blog que deu origem a pelo menos dois livros e um filme, além disso já levou mais de um milhão de espectadores a salas de cinema.

De modo algum diria que dinheiro não é importante, pelo contrário. Precisamos de dinheiro, mas muito, além disso, precisamos gerar dinheiro, fazer com que ele se movimente para nosso bem estar social pleno. Para que este movimento aconteça não basta ter o dinheiro em mãos, é preciso perseverar, planejar, persistir e, se necessário, começar novamente. Refazer. Sobretudo agir.


A felicidade não se compra. Atitude também não. Vontade, garra, perseverança e superação não estão disponíveis em prateleiras. Requerem nosso comprometimento e confiança - principalmente em nós mesmos. O sucesso do passado não determina o sucesso do presente, mas a ação do presente pode influenciar o resultado do futuro, tanto em termos de finanças como no mais sutil cenário das emoções e sonhos. E esta ação do presente, felizmente, não tem preço em dinheiro, mas em decisão (que pode ser mais caro, convenhamos): analisar, planejar e agir.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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