A armadilha do perfeccionismo

A armadilha do perfeccionismo

Frequentemente, pessoas com problemas de autoestima, que não se sentem capazes de dar conta do que acham que deveriam fazer, pensam e se comportam de modo a fortalecer a ideia de que são incompetentes.

Isso acontece porque buscamos no mundo aquilo que confirma o que acreditamos sobre nós mesmos, sobre outras pessoas e sobre a vida.

É como se usássemos óculos que filtram a realidade através da cor das suas lentes. Ou, em outra linguagem, nossas crenças nos levam a selecionar no mundo o que parece comprová-las.

Crianças que são super exigidas, criticadas, que crescem ouvindo comentários negativos quando falham, costumam se tornar pessoas com nível de exigência altíssimo em relação ao próprio desempenho.

Mais tarde, a expectativa de estar à altura do que imagina ser ideal é o ponto de partida para uma avalanche de frustrações e sentimentos de não falta de valor.

Uma das consequências do excesso de exigência consigo mesmo é a preocupação excessiva. Com medo de eventos negativos que poderão ocorrer no futuro, pessoas perfeccionistas sofrem por antecipação.

Como não aprenderam a lidar com suas falhas e dificuldades, muitas vezes, recuam diante de um desafio, da possibilidade de um relacionamento amoroso, ou de assumirem a responsabilidade por algum projeto significativo.

O pânico diante da possibilidade de falhar, decepcionar, deixar de cumprir uma meta, faz com que deixem de aproveitar oportunidades que se apresentam em seu caminho.

Essas pessoas, em geral, funcionam na base do "tudo ou nada". Não conseguem ver que a variedade e riqueza das cores da vida, e a infinidade de tons entre o preto e o branco.

A visão distorcida as impede de reconhecer seu valor e competências, pois colocam o foco no que não fazem, não conseguiram, não cumpriram... Assim, alimentam o sentimento de que não são capazes. Desqualificam suas conquistas como se essas não existissem.

Esse tipo de pessoa, quando tem um bom desempenho, costuma dizer que só fez bem aquilo porque era fácil. Ou, que seus talentos não significam nada, pois tanta gente tem mais talento e realizações do que ela.

Qual a saída? O primeiro passo é se dar conta de que seu nível de exigência é irreal e desnecessário. Acima de tudo, impossível de ser cumprido.

Isso acontece quando a pessoa se depara com as crenças que carrega no subsolo da mente e compreende a ação que exercem sobre seus padrões de pensamento, emocional e de comportamentos.

Falhar faz parte da vida. Só não comete erros quem não age, fica à margem, sem correr riscos. Nossos erros trazem oportunidade de aprendizado e de aperfeiçoamento para que nos tornemos pessoas e profissionais melhores.


O progresso é feito de mudanças muitas vezes, imperceptíveis, mas que no final produzem realizações gratificantes. É importante reconhecer cada pequeno passo adiante.

Se não podemos fazer tudo o que gostaríamos, façamos o possível. A pior alternativa é não fazer nada.

A colunista Jael Coaracy é escritora, personal e executive coach. Contatos - jaelcoaracy@gmail.com http://www.vaidarcerto.com.br

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