Quando procurar um terapeuta capilar?

Quando procurar um terapeuta capilar

De um dia para o outro, você começa a perceber que seus cabelos estão caindo sem algum motivo aparente, ou que os fios estão oleosos e com caspa excessiva. A solução mais simples é pedir indicação de um produto para o seu cabeleireiro, o que nem sempre é um sinal de problema resolvido.

Além de os dermatologistas, hoje em dia há também outro profissional que tem ajudado muito nos tratamentos dos fios. Trata-se do terapeuta capilar. Enquanto que o cabeleireiro cuida do visual, o dermatologista está habilitado para o tratamento da pele. "Já o terapeuta tem conhecimento em histologia dos pelos e tricologia, ou seja, conhece profundamente os cabelos e seu ciclo biológico, cuida da célula viva (raiz-bulbo) e acompanha a contagem de fios por diâmetro e a densidade deles em área de risco", diz Patrícia Maciel, terapeuta capilar especialista em recuperação dos fios, formada pela Universidade Takara Belmont Nagoya Gakuen, no Japão.

Segundo a profissional, um terapeuta se faz necessário como uma forma de prevenção. "Se todos fizerem um tricograma (histórico capilar), isso servirá como auxílio em futuros tratamentos contra a queda". Mesmo porque hoje em dia existem vários tipos de alopecia e suas causas. Uma delas, chamada de eflúvio telogeno, acontece justamente nesta época. "No frio, as pessoas se encapuzam e ingerem mais alimentos calóricos, isso aumenta a secreção sebácea e a oleosidade, o que contribui para a queda capilar", explica.

A oleosidade em excesso, ou dermatite seborreica, é típica do inverno por conta da mudança de hábitos. Nos dias mais frios costumamos nos recolher em ambientes fechados e aquecidos, além de usar casacos e gorros. Também tomamos banhos muito quentes e nos movimentamos menos, com isso diminuímos a produção de endorfina (hormônio responsável pelo rejuvenescimento). "Tudo isso somado à alimentação mais calórica e gordurosa ajuda na produção da oleosidade", esclarece.

Segundo Patrícia, a água quente - que dá uma sensação aconchegante - potencializa o cloro. E provoca o chamado 'efeito rebote', pois o óleo, ao ser tirado bruscamente, se reproduz ainda mais, assim as glândulas sebáceas aceleram sua produção. "Para tranqüilizar o óleo, às vezes precisamos do próprio óleo como remédio. Eu sugiro produtos leves para a lavagem dos cabelos, nada de limpeza profunda. Às vezes é importante um acompanhamento com um dermatologista para um trabalho interno oral". Durante o banho é importante não massagear o couro e evitar água muito quente.

Para quem costuma usar boinas, bonés ou gorros nessa época, a terapeuta indica lavá-los como uma peça íntima, pois no frio o acúmulo de fungos ataca as cabeças. "Este parasita em especial é formado por monóxido de carbono e seu habitat é o couro cabeludo", alerta.

Quando o assunto é queda dos cabelos, Patrícia afirma que vários fatores estão relacionados. Além da questão genética, problemas endócrinos hormonais e a deficiência orgânica (falta de nutrientes), também fazem parte da lista. Em muitos casos, a queda de cabelos também acontece no pós-parto. Conforme a terapeuta, ela está relacionada pela mudança metabólica hormonal da progesterona.

Já as causas emocionais são as mais comuns na opinião da terapeuta. "O estresse é o distúrbio mais comum de fundo emocional. Ele pode ocasionar queda capilar, aumento da secreção sebácea e dermatites. Porém problemas emocionais como depressão e baixa autoestima podem se refletir da mesma maneira nos cabelos, na pele e nas unhas. Traumas vividos são outra fonte do problema: há casos em que uma perda leva à queda total dos cabelos, ao encanecimento (branqueamento dos fios) ou a uma queda acentuada", explica Patricia.

Para entender melhor, a especialista cita os problemas capilares relacionados com questões emocionais:

Alopecia areata: relacionado com baixa imunidade e stress

Alopecia traumática: causada por traumas emocionais, ou tração feita com penteados que forçam a raiz dos cabelos, e o uso de produtos químicos não compatíveis.

Psoríase - lesões na pele, unhas e couro cabeludo, que surgem principalmente em mulheres com histórico familiar e é causada predominantemente por estresse, baixa imunidade, deficiência vitamínica e sensibilidade dérmica.

Eflúvio telógeno - queda capilar grave, causada por estresse, insônia, depressão pós-parto e pós-cirurgia e uso de medicamentos agressivos sem controle médico. Também são fatores importantes: alterações hormonais, problemas endócrinos e disfunções na tiroide, causadas por regimes alimentares sem acompanhamento médico; alimentação inadequada; ovário policístico e endometriose.

Tricoptilomania: queda traumática causada por desequilíbrio nervoso e alto stress.

O tratamento é usado somente depois de um histórico capilar, quando é feita a mediação da densidade do fio, peso molecular e quantidade de fios por centímetro quadrado. "Com esta referência nós colocamos a mão na massa. Usamos desde esfoliações, eletrotricogenese (uso de micro-corrente) e massagens". Patrícia ainda recorre ao Reiki, ionizações e até duchas de acido ascórbico para outros fins.

"Eles servem para desintoxicação, limpeza, estímulo da célula viva, aumento da circulação sanguínea periférica, reequilíbrio do corpo em geral e relaxamento, afinal o estresse é um forte agressor".


Por isso de nada adianta recorrer aos tratamentos se as causas externas, emocionais, não são tratadas. "Para efetivamente obter bons resultados precisamos cuidar de dentro para fora, isto inclui mudanças de hábito e um bom trabalho com uma equipe multiprofissional". Portanto, seja no inverno ou no verão, a dica é ingerir bastante água, praticar atividades físicas e comer muitas frutas. E cuidar da autoestima. Só assim seus cabelos vão se crescer fortes e saudáveis.

Por Juliana Lopes

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