Os riscos do formol

riscos do formol

Foto: Blue Jean Images/Corbis

Não é de hoje que a mídia denuncia os riscos do formol em certos produtos para alisar os cabelos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a dosagem correta de formol é de 0,2%. "Essa porcentagem é permitida somente durante o processo de industrialização do produto como conservante. Nessa concentração não traz riscos", orienta a dermatologista Dra. Flávia Guglielmino.

Só que muitos profissionais e fabricantes não obedecem às regras e acabam aumentando a dosagem. Isso porque os produtos com formol em alta concentração alisam mais do que os outros tipos de escova. Portanto, não acredite quando um profissional afirmar que produtos com formol acima de 0,2% são permitidos pela ANVISA, mesmo que sua embalagem indique o respectivo registro.

E mesmo usando o formol na quantidade adequada há uma ressalva. Conforme a dermatologista algumas pessoas podem ser alérgicas a essa substância, mesmo que em pequena quantidade. Para saber se você é alérgica ou não deve fazer o teste aplicando o produto em uma pequena mecha de cabelo. Pode ser nas pontas, por exemplo, que você for cortar depois. E lembre-se: é obrigação do profissional fazer esse teste se você nunca usou uma escova progressiva.

No último domingo (03), o programa "Fantástico" fez uma denúncia grave: além de muitos produtos apresentarem formol acima da concentração permitida pelos órgãos fiscalizadores, um componente presente nesses produtos alisantes mascara o formol. É o ácido glioxílico.

Nos produtos que apresentam esse componente, o formol só aparece quando o cabelo é aquecido com secador e prancha. É por isso que os fabricantes pedem que se passe a prancha ao final do procedimento. Com o calor o cabelo sofre uma reação química, ocorre a decomposição dos componentes aplicados no cabelo e o formol é liberado. "O formol cria uma capa ao redor do fio que impede a penetração de agentes hidratantes. Assim, em longo prazo, os fios ficam ressecados e quebradiços", explica Dra. Flávia.


A médica alerta ainda que o principal risco do formol é o seu efeito carcinogênico, ele causa câncer principalmente na boca e sistema respiratório, além de leucemia. "Não somente na cliente, mas também em todas as pessoas ao redor que estão inalando o produto", alerta. O produto pode também causar irritação das vias aéreas e olhos, levando até a cegueira, queimaduras na pele do rosto e couro cabeludo, além de pneumonia química. Vale lembrar ainda que o formol não pode ser usado em grávidas.

O alerta feito pelo Fantástico comprovou que o consumidor, mais do que nunca, precisa conhecer a fundo o produto que adquire, pois os órgãos públicos não têm feito sua parte com a qualidade exigida, permitindo que produtos que mascaram o formol cheguem ao mercado e sejam livremente usados por profissionais leigos, colocando em risco a saúde de crianças e gestantes.

"A única maneira de não ser lesado é ler realmente o rótulo do produto. Peça orientações a cabeleireiro de confiança e não tenha vergonha de olhar a composição. Não use se tiver o ácido glioxilico, pois ele, quando aquecido, libera formol", lembra a dermatologista. Para quem não abre mão de ter os cabelos alisados, Dra. Flávia diz que a alternativa é não prestar atenção nos nomes dos métodos, entre eles, escova inteligente, escova marroquina, entre outros, mas sim nas substâncias usadas: ácido tioglicolico, guanidina, hidróxido de sódio, hidróxido de potássio, hidróxido de cálcio e hidróxido de lítio.

* Serviço: Dra. Flávia Guglielmino, dermatologista.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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