O perigo das escovas progressivas

O perigo das escovas progressivas

Escovas de chocolate, de açúcar, marroquina, com cheiros e efeitos semelhantes. Todas elas são chamadas de escovas progressivas e prometem alisar definitivamente os cabelos rebeldes de muitas mulheres por aí. Talvez, algumas delas, cumpram mesmo o que estão prometendo, mas outras podem acarretar algumas complicações indesejadas, causadas por substâncias ilegais, misturadas à composição original.

O formol, por exemplo, foi diversas vezes utilizado na produção das escovas progressivas, até ser proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (a ANVISA).

Algumas escovas utilizadas em salões de beleza ainda possuem o formol, mesmo ilícito, que pode ser acrescido na hora da preparação do material, bem debaixo do seu nariz.

Outro produto proibido, que também pode ser encontrado em algumas escovas progressivas, é o glutaral, uma substância 10 vezes mais forte que o formol e que pode causar queimaduras no couro cabeludo, coceiras, ardência ocular, e até pneumonia química (queimaduras no pulmão devido à inalação do produto, que pode levar à morte).

Assim como o formol, o glutaral é utilizado na composição de produtos, mas seu uso é estritamente com o intuito de conservação. Por isso que o limite máximo de sua manipulação é de 0,1%, autorizado pela ANVISA. No caso do formol, o limite sobre para 0,2%.

Segundo o dermatologista e especialista em cabelos Luciano Barsani, do Instituto do Cabelo, em São Paulo, o fato de ser escova progressiva, ou escova definitiva, não acarreta problemas, se executada por um profissional habilitado e que utilize produtos licenciados pelo Ministério da Saúde. O problema só acontece quando a lei é burlada, o produto é alterado e o profissional inabilitado.

"Quando o produto utilizado não corresponder a esses requisitos, pode ocorrer queda de cabelo, perda de brilho, alteração na textura dos fios, queimadura no couro cabeludo com lesão irreversível e perda total dos fios", afirma o dermatologista. "Em casos mais graves podem existir complicações como pneumonia química, reação alérgica, inflamações e até a morte", completa.

Tanto clientes quanto cabeleireiros podem sofrer esses efeitos, afinal, todos estão submetidos ao contato com o produto.

Patrícia* conta que sua mãe, Darlene*, 43 anos, teve uma pequena complicação causada pela escova progressiva. Antes, a secretária exibia lindos cachos na cabeça. Hoje, a história é bem diferente. "Ela adorava o cabelo, só queria ficar com ele liso por alguns meses, porque queria ficar com um visual diferente para a formatura do meu irmão mais velho. Depois da progressiva, o cabelo dela nunca mais voltou ao normal", conta Patrícia. "Todos os dias ela tinha que fazer escova e passar prancha para disfarçar o estrago. Até hoje, depois de cinco anos do ocorrido, ela continua passando prancha".

Casos como o de Darlene são mais comuns do que se imagina. Luciano, por exemplo, garante que pelo menos uma paciente por dia é atendida devido a complicações originadas de procedimentos realizados erroneamente.

Segundo o dermatologista, os tratamentos realizados para curar os danos causados por uma escova progressiva mal utilizada podem demorar no mínimo seis e sete meses para recuperar os fios do jeito que eram inicialmente. "Dependendo das complicações, o processo pode ser irreversível, como na queima do couro cabeludo", revela o profissional. É o famoso "barato que sai caro".

Se, mesmo sabendo dos riscos, você ainda quiser partir para a ação, o médico deixa algumas dicas para se prevenir de possíveis danos.

- Procure sempre um médico de confiança;

- Tenha certeza de que o profissional é habilitado para executar o procedimento;

- Peça para que o cabeleireiro mostre a embalagem do produto e o prepare na sua frente;

- Verifique se, no rótulo, consta o número de registro ao lado do símbolo da ANVISA;

- Peça para que o profissional execute o teste da mexa, para saber se, mesmo sendo licenciado, o produto se adapta ao seu fio;

- A qualquer sinal de ardor, coceira, lacrimação dos olhos, rouquidão, tosse ou falta de ar, interrompa imediatamente o procedimento. Lave os fios abundantemente com água e procure um médico de sua confiança.


Para mais informações, acesse: www.anvisa.gov.br

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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