Existe etiqueta para o salão de beleza?

Existe etiqueta para o salão de beleza

Sair do salão de beleza satisfeita com o próprio visual parece tarefa difícil para algumas mulheres. Cabelo que ficou curto demais, comprido demais, claro demais, repicado demais: tudo pode ser motivo para reclamar. O que poucas pessoas pensam é que os profissionais do salão sofrem com tanta amolação.

Afinal de contas, existe uma etiqueta para o salão de beleza? O cabeleireiro Thalizzier Fabilson, conta o que mais irrita na hora de cortar as madeixas. "O pior é quando o cliente começa a reclamar antes mesmo do corte ficar pronto", afirmou. A colega de trabalho do rapaz, Elizabeth Borges, trabalha há 17 anos como cabeleireira e completa a idéia. "Por isso é importante conversar bastante com o cliente para ter certeza do que ele quer", disse.

Outra situação odiada pelos profissionais é quando o cliente leva algum acompanhante que fica opinando no corte. "Não sabemos quem ouvir", disseram os cabeleireiros. Edileuza Matos de Andrade Falarini, que trabalha como cabeleireira há 29, conta que uma circunstância bastante constrangedora é quando o freguês pede para que o profissional imite outro. "Tem cliente que chega falando ‘Meu cabeleireiro é aquele de renome, mas ele cobra muito caro. Será que se você olhar bem consegue cortar igual?’. Não gosto, considero falta de ética por parte de quem está pedindo", afirmou. Isso sem contar quando a cliente chega com um recorte de revista e pede "quero um cabelo igual ao dela"

As manicures também têm suas reclamações. A lista é grande: clientes que marcam hora, chegam atrasadas e ainda dão "piti", pedem para trocar a cor do esmalte depois de tudo pronto e por aí vai. Comentando o ambiente insólito dos salões de beleza, nossas amigas da Uma a Uma, já disseram em uma de suas colunas no Vila Mulher: "As manicures deveriam ser imediatamente contratadas pelas agências de propaganda para participar das reuniões estratégicas de campanhas para mulher. Como ninguém, elas conhecem os pesadelos e sonhos femininos"

Pedir cortes e cores mirabolantes, mesmo quando o cliente é aconselhado a repensar, é outro motivo de estresse. "Se sei que não vai ficar bem, tento sugerir outra coisa. Em alguns casos prefiro nem executar a mudança, pois é meu nome profissional que está em jogo", disse Elizabeth.

Situações chatas, infelizmente, acontecem o tempo todo. Edileuza conta que já teve que refazer o corte de uma cliente várias vezes, até que se irritou: "Há aproximadamente cinco anos, uma cliente me fez cortar o cabelo dela cerca de quatro vezes", contou. Ela explica que perguntou o que a cliente queria e ainda sugeriu que o horário fosse remarcado por causa da indecisão da mulher. Mesmo assim ela insistiu e pediu vários cortes. "No final, eu a convidei a ir embora e procurar um terapeuta, pois o problema não estava no corte e sim no ego dela", contou. Em situações deste tipo, o melhor é manter a calma e tentar resolver o problema da melhor forma possível, afinal a cliente está pagando.

Histórias como estas ainda são pouco comparadas ao que algumas mulheres são capazes de fazer por um visual perfeito no salão de beleza. Thalizzier conta que já passou por uma situação absurda em um dos salões que trabalhou. "Certa vez, uma mulher foi ao salão e fez tudo o que tinha direito: cortou, fez luzes, escova progressiva... Na hora de pagar, porém ela afirmou que seu cheque havia sido roubado dentro do estabelecimento". Os profissionais permitiram que ela saísse e fosse até o caixa eletrônico retirar a quantia, que ficou perto dos R$ 500,00, e a mulher deixou a bolsa como garantia. Horas depois, quando a cliente não voltava, a bolsa foi aberta e todos tiveram uma surpresa. "Só havia papel lá dentro", completou. Casos como este merecem uma medida mais efetiva, como um boletim de ocorrência.

No final das contas, qualquer cabeleireiro concorda que trabalhar com a imagem das pessoas não é fácil e requer muita paciência, jogo de cintura e conhecimento. O importante é aprender a lidar com as situações do dia-a-dia e contornar as saias-justas, como todo bom profissional.

Fonte - MBPress

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