Crianças podem alisar os cabelos?

Depois da polêmica imagem de uma menina de 2 anos que teve seu cabelo alisado, voltamos a falar do assunto: criança pode alisar cabelo?

Foto: Reprodução/permanenteafro

A imagem do antes e depois de uma garotinha de dois que alisou o cabelo em um salão de beleza causou polêmica nas redes sociais. A foto foi divulgada pelo próprio estabelecimento, chamado Inovar Beauty, localizado em Ribeirão Preto (SP). A criança, identificada como Júlia, tem os cabelos bem enrolados, como mostra na foto do "Antes". Após o tratamento feito com um produto da marca Eiffel Cosméticos, que ainda está em testes e não foi lançado, a menina aparece com os fios totalmente lisos na foto que foi publicada no Facebook do salão.


Em sua página do Facebook, a mãe da pequena Júlia recebeu uma enxurrada de comentários indignados com a atitude da mãe em levar um bebê para alisar os fios. "O procedimento feito no cabelo da minha filha chama-se botox. É um tratamento sem formol, à base de leite, que pode ser usado em crianças, gestantes e lactantes. A vocês que não têm o que fazer, vai o meu f... Cuidem de suas vidinhas", respondeu a mãe da criança.

Foto publicada pelo salão mostra o antes e depois. Foto: Reprodução/uol

A mulher disse ainda que o efeito liso foi dado pelo uso de chapinha. O cabelo da criança, segundo ela, continua com cachos, só que está "mais macio e suave para pentear". Para 'provar', ela publicou uma foto da menina com os fios cacheados - mas a foto não tem data.

A imagem mostra o resultado do alisamento. Foto: Reprodução/portalbeleza

Foto: Reprodução/uol

Formol X Crianças 

Alguns fabricantes de produtos usados em escovas progressivas já foram denunciados porque estavam abusando ou mascarando o formol em suas composições, as mulheres passaram a ficar mais preocupada e em alerta. Só que o problema pode ir mais longe, como vimos no caso acima: esses produtos podem ser usados para alisar os cabelos das crianças?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que o produto alisante possua, no máximo, 0,2% de formol em sua composição. Em quantidades acima do permitido a substância pode ser fatal tanto para quem recebe o produto quanto para quem aplica.

"Quando aquecido o formol libera o gás metano que, ao ser aspirado pode provocar uma pneumonite química, levando à insuficiência respiratória e à morte", alerta Dr. Luciano Barsanti, diretor do Instituto do Cabelo em São Paulo, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia e apoiador do programa Horas da Vida.

E mesmo na quantidade permitida há uma ressalva. Algumas pessoas podem ser alérgicas a essa substância, mesmo que em pequena quantidade. O especialista lembra ainda que o formol pode também causar problemas tópicos no couro cabeludo, como dermatite química ou queimaduras em vários graus. Nos olhos pode ocorrer conjuntivite e lacrimejamento.

As mães mais informadas, até então, optavam por produtos que possuíam ácido glioxílico em sua composição. Porém, essa substância apenas mascara o formol, pois ao ser aquecido por secador e prancha provoca uma reação química no cabelo e libera o formol.

Dessa forma o especialista é categórico. "Não recomendo que sejam realizados procedimentos de alisamento, com qualquer produto, em crianças com menos de 10 anos de idade", orienta Dr. Luciano.

Ciente dos riscos, Dr. Luciano sugere alternativas para domar os cabelos das crianças: "Podem ser usados os produtos chamados de ‘leave in’, pós-enxague com efeito de alisamento ao secador e cremes ou máscaras hidratantes com enxágue à base de extratos naturais como rosas brancas, prímula e sálvia. Banhos capilares com queratina também ajudam no efeito estético."

Dificilmente são as filhas que pedem para usar produtos alisantes. Muitas vezes são as mães que as ingressam precocemente na feroz ditadura da beleza. Na opinião do especialista os adultos precisam orientar suas herdeiras a aceitarem seus cabelos como são. "As filhas tendem a imitar as mães, quando, na verdade, a beleza vem das diferenças. "Talvez as mães tenham que ser conscientizadas sobre isso", avalia.

Por Lívia Duarte

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