Penteados e costumes de época

Penteados e costumes de época

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Cada tribo ou povo tem uma história, uma cultura, um jeito de se mostrar independente. E os cabelos sempre fizeram parte dessa identidade, tendo cada penteado uma marca registrada. Por meio do estilo dos fios, por exemplo, é possível descobrir costumes de uma época, de classes sociais ou de grupos definidos, como os hippies, os yuppies e os punks. Isso é o que afirma a pesquisadora Silvia Marques em seu livro "A História do Penteado", (Matrix Editora, 2009).

Na obra, Silvia explica a importância dos penteados para contar história e identificar questões. "A mudança dos penteados fala muito sobre nós, sobre as mudanças na rotina e na visão de mundo. Às vezes, troca-se de penteado para instigar uma mudança interna. Quando decidimos mudar a cor ou a textura natural do cabelo , estamos dizendo a todos que aquela mudança tem mais a ver com o que sentimos, pensamos e queremos para nós. Quando uma mulher corta radicalmente o cabelo ou opta pelo megahair, também está passando uma mensagem", conta a autora, que também é dramaturga e atriz.

Vale ressaltar que o mais importante não é o que o cabelo representa, mas sim essa mudança, que apensa depende de cada um para realmente acontecer. "Os cabelos não desinibem, não erotizam e nem nos recolocam no mundo se nós não alterarmos as nossas atitudes e a postura além do penteado. Enfim, precisa ser de dentro para fora", enfatiza Silvia.

Passando da história para mitos e controvérsias, a obra mostra que nem tudo o que fazemos com os cabelos (ou o que sabemos sobre eles) é certo ou verdade. Silvia afirma, por exemplo, que lavar os cabelos todos os dias não faz mal. Segundo ela, os fios oleosos precisam dessa lavagem para ficar bonitos e saudáveis. E quem disse que cabelos curtos não precisam de condicionador? A escritora afirma que todos os cabelos precisam, para fechar a cutícula dos fios, já que os xampus abrem.

O livro ainda conta curiosidades do mundo dos penteados como o fato de, na Idade Média, muitas mulheres terem sido queimadas como bruxas por serem ruivas, ou então o interesse que as loiras já despertavam na Idade Antiga. Há ainda a divertida história de Cleópatra, que dava para seu marido um "tônico" de bálsamo bem excêntrico - para combater a calvície - que incluía em sua fórmula ratos queimados.

A pesquisa de Silvia revela também que, durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, com a inexistência dos salões de beleza, as mulheres precisaram se adaptar a penteados mais simples. Na mesma época, os turbantes ficaram em alta por serem práticos e mais baratos que os chapéus. Duas décadas antes, os curtos foram muito valorizados porque o figurino da mulher se despojou como um todo. "Na década de 20 as mulheres se emanciparam muito politicamente e começaram a reivindicar um espaço maior na sociedade", descreve. Nos anos 1970 surgiram nos salões os secadores portáteis - para salvar a vida das mulheres. Uma década depois passaram a ser disponibilizados no mercado comum.

A autora lembra ainda que, em algumas culturas, o cabelo demonstrava a posição social, profissional e até mesmo religiosa da pessoa. Na Roma antiga, por exemplo, cabelo raspado evidenciava inferioridade já que, na época, apenas escravos, prisioneiros ou traidores utilizavam esse corte.


O poder da autoexpressão que os cabelos têm motivou Silvia a escrever o livro. Ela afirma que, quanto mais soubermos sobre cabelos, melhor nos expressaremos com os penteados. "E diremos ao mundo quem somos", finaliza.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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