Seu signo mudou?

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Seu signo mudou

"Novo" questionamento, velhos protagonistas. Não é de hoje que astrônomos e astrólogos argumentam sobre questões em torno do céu. A bola da vez - que, diga-se de passagem, é a mesma de 1995 - é a precessão do eixo terrestre, que, segundo o astrônomo Parke Kunkle, pode ter mudado o signo de muita gente, além do surgimento de um novo signo: Serpentário.

O professor de Astronomia da USP Enos Picazzio explica que nada no Universo está em repouso, e não seria diferente com a Terra. "Atualmente a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação à vertical do plano de sua órbita é aproximadamente 23,5 graus. A longo prazo, essa inclinação muda, fazendo o eixo da Terra bambolear", explica.

Segundo o professor, o eixo da Terra dá uma volta completa em aproximadamente 26.000 anos (cerca de 1,4 grau a cada século), o que causa mudança na posição dos pólos celestes e nas constelações do zodíaco.

"O cruzamento do equador celeste e a eclíptica define dois pontos, os equinócios. Navegadores e astrólogos designaram esses pontos como Primeiro Ponto de Áries (nosso equinócio de outono) e Primeiro Ponto de Libra (nosso equinócio de primavera). Na realidade, esses pontos eram conhecidos há cerca de um milênio" conta Picazzio.

"Naquela época, o primeiro ponto estava em Áries, daí sua designação (Primeiro Ponto de Aries). Por conta da precessão do eixo terrestre, esse ponto hoje está em Peixes (o outro em Virgem). No ano 2600, esse ponto estará em Aquário. Portanto, as posições mudam e voltam a ser como era a cada 26.000 anos", completa.

Segundo o astrônomo, as divergências vão além do polêmico 13º signo. "Se considerarmos os limites oficias das constelações, definidos pela União Astronômica Internacional, a faixa zodiacal passa por pouco mais de 20 constelações. Isto não é novidade nem para os astrólogos". E completa: "A astrologia moderna parece adotar os signos zodiacais como segmentos de 30 graus do zodíaco tropical, sempre começando com o ponto do (nosso) equinócio de outono. O zodíaco astrológico não leva em conta a posição relativa às estrelas, por isso, desconsidera a precessão do eixo terrestre".

"Em síntese, os astrônomos veem o céu como ele é de fato, mutante. Já os astrólogos o veem como seus antigos mestres o viram no passado. Por este motivo a Astronomia é ciência, a Astrologia não", conclui Picazzio.

Esse não é o primeiro conflito e, com certeza, não será o último. Quem se lembra da confusão quando Plutão foi rebaixado a planeta anão? Ou, em 1995, quando o mesmo questionamento em torno do eixo terrestre foi levantado pela astrônoma britânica Jacqueline Mitton? Voltando ainda mais no passado, em 1868, o codificador do Espiritismo Allan Kardec já havia citado o assunto, na publicação "A Gênese".

Admirável horóscopo novo

Em um ponto astrônomos e astrólogos se encontram: os céus analisados não são os mesmos.

"Os astrônomos fazem questão de confundir. A gente tem um céu real, mensurável, que é o utilizado pelos astrônomos, e o virtual, simbólico, usado desde sete mil anos atrás pelos astrólogos", afirma o astrólogo Ivan Freitas.

E as semelhanças acabam por aí. O astrólogo defende que, assim como seus colegas, as mudanças não serão levadas em consideração e completa: "esse papo já é um velho conhecido dos astrólogos."

"A precessão dos equinócios é de conhecimento há centenas de anos. Desde a Idade Média se fala disso. Porém, a Idade Média foi ontem, século XII, XIV, e a divisão de astrologia e astronomia foi no século XVI" - relata - "Isso equivale a você descobrir uma nova nota musical e invalidar toda a música por ter descoberto [a nova nota]", compara.

Para Ivan, a inserção de Serpentário, assim como as mudanças nas datas de cada signo não fazem sentido. "Ninguém está falando de crença, se trata de um estudo milenar, não tem sentido. Até os anos 40 não se conhecia Plutão. Netuno, por exemplo, só foi visualizado na Revolução Francesa, Urânio só nos Anos 30, então até o século XX e final do século XIX, a gente não conhecia esses planetas. E a astrologia já estava segmentada mesmo sem conhecer esses três planetas".

Diante disso, será que vale a pena falar sobre Serpentário? Se vale ou não, tanto faz, já que, segundo o astrólogo, não seria muito fácil descobrir as características desse Admirável Signo Novo. "Para se segmentar as características de um possível novo signo, a gente levaria milênios, seriam gerações de astrólogos para descobrir onde esse provável signo se encaixaria", explica.

Crise de identidade zodiacal

Para aqueles que toda a vida se identificaram com seu signo, sem pânico: nada mudou. Pelo menos não no céu virtual da Astrologia - o que, com um pouquinho de observação, se torna menos esdrúxulo. Você, ariana, sangue quente, se veria como uma pacífica pisciana? Ou mais, as escorpianas seriam uma verdadeira raridade, já que a maioria viraria libriana (o que pode fundir com a cabeça de muitas filhas de Plutão).


"O Mick Jagger é o exemplo do leonino puro, imagina ele virando canceriano? Outro exemplo: Ayrton Senna foi ariano, o próprio automobilismo é uma coisa ariana. Aí o bicho vira taurino, por essa nova proposta. Imagina? Não tem sentido nenhum. Isso, só de signo solar, mudaria todo o status quo de uma pessoa, toda a personalidade".

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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