Viciadas em sapatos

Viciadas em sapatos

Toda mulher adora comprar sapatos novos. O problema é que algumas delas gostam demasiadamente, acabam perdendo o controle e gastando mais do que dispõem. Características como essas podem apontar um problema mais grave, o transtorno compulsivo.

A especialista em psicologia cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira explica o transtorno compulsivo como uma manifestação de desajuste do comportamento com o intuito de aliviar tensões geradas por pensamentos desagradáveis e prevenir eventos negativos que provavelmente não ocorreriam na realidade. "Em geral, está associado ao quadro de depressão e ansiedade", afirma.

"É um desejo subjetivo e incontrolável de praticar uma determinada ação. É comum sentimentos de angústia na impossibilidade de satisfazer esse desejo", esclarece Mara Lúcia. Um detalhe importante é que o transtorno também é caracterizado pela repetição do comportamento. Esse desejo não é algo que dá uma vez e passa, por isso quem sofre tende a colecionar os objetos de adoração, no caso os sapatos.

Não há motivos para se preocupar. Nem toda paixão por calçados é patológica! "A compra de sapatos só tem relação com o transtorno compulsivo quando este é o alvo da compulsão e seu consumo representa consequências danosas para as consumidoras", explica a psicóloga. "Esses danos podem ser envolvimentos em dívidas, inadimplência, restrições ao CPF por não pagamentos de créditos ou emissão de cheques sem fundo, além de problemas de relacionamento familiar, mentiras ou práticas ilícitas para conseguir o dinheiro para comprar calçados", completa.

Não há pesquisas que confirmem o fato de a maioria das vítimas de doença de consumo ser do público feminino. Segundo Mara Lúcia, a mulheres procuram tratamento mais do que os homens, por isso a fama. A psicóloga orienta no auxilio do diagnóstico: "Quando ela tenta resistir ao impulso e não consegue; os pensamentos, imagens e impulsos são repetitivos e desagradáveis; a compra não é para obter prazer, mas para aliviar as tensões e ansiedade; ou quando o comportamento acarreta consequências negativas nas suas relações pessoais, financeiras e sociais".

Essa é uma patologia que tem tratamento. "Em muitos casos, a psicoterapia comportamental é a intervenção mais indicada, porém, dependendo da gravidade do transtorno, deve-se combinar psicoterapia com psiquiatria para a prescrição de medicamentos", sugere Mara Lúcia. A psicoterapia tem a função de ajudar o paciente a compreender as causas da doença, tanto os aspectos biológicos, psicológicos e sociais.


A psicóloga lembra que é importante controlar a ansiedade. "Os medicamentos só podem ser prescritos por médicos e têm a finalidade de regular os aspectos biológicos envolvidos no transtorno e minimizar seus sintomas", diz. "Os dos transtornos compulsivos e depressivos, com elevada frequência, ocorrem juntos, o que dificulta a diferenciação dos quadros", observa a psicóloga.

Bianca de Souza (MBPress)

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