Tuberculose: causas e tratamento

Tuberculose causas e tratamento

No passado doenças como a tuberculose matavam com frequência, pois não havia tratamento nem conhecimento das formas de contágio. Porém, dados de uma pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) ao Instituto Datafolha são, no mínimo, preocupantes. Eles indicam que muita gente ainda morre em decorrência desse mal.

Segundo o estudo, todos os anos são detectados cerca de 80 mil novos casos de tuberculose, além de 4,7 mil mortes por causa da doença. E 94% das 2.242 pessoas ouvidas pelo instituto afirmaram conhecer a doença, mas somente 1% soube responder corretamente sobre a forma de contaminação.

"A tuberculose é transmitida pelo ar, por meio de tosse, espirro ou mesmo pela fala de alguém doente. Os bacilos causadores, expelidos no ar, são então inalados por uma pessoa saudável", explica Roberto Stirbulov, presidente da SBPT.

Às vezes, fica difícil identificar a tuberculose. Isso porque os sintomas mais frequentes são comuns a muitas doenças: tosse, cansaço excessivo, febre, sudorese, falta de apetite e emagrecimento.

"No entanto, se um indivíduo tiver tosse contínua e sem causa esclarecida por mais de três semanas, já é sinal de alerta. Ele deve procurar um médico", afirma Clystenes Odyr Soares Silva, pneumologista da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Já o diagnóstico é simples e rápido e a história clínica do paciente será fundamental para que o profissional da saúde desconfie de um caso de tuberculose. Depois, uma radiografia de tórax e um exame de escarro - caso a pessoa apresente catarro - bastam para a confirmação da doença.

Quem apresenta os sintomas e prefere ir "empurrando com a barriga" corre alguns riscos. De acordo com o presidente, "normalmente, a doença atinge os pulmões (90% dos casos), mas também pode acometer outros órgãos". Clystenes alerta que, quanto mais tardio o diagnóstico, mais difícil será o tratamento. "Além do mais, quem foi contaminado e não buscou ajuda profissional pode transmitir tuberculose a pessoas próximas", lembra o pneumologista.

O tratamento é gratuito e à base de antibióticos, disponíveis na rede pública. O tempo necessário para a recuperação depende de cada caso, mas fala-se em cura de quase todos os pacientes que procuram ajuda.

Embora qualquer pessoa possa ser contaminada pela tuberculose, existe um grupo de risco. "É uma doença social, incide com mais prevalência nas camadas menos privilegiadas da sociedade. Indivíduos com higiene precária e/ou má alimentação, e quem ingere muito álcool também faz parte desse grupo", diz Clystenes.

Para prevenir a doença, existe hoje uma importante aliada: a vacina BCG, que aumenta a imunidade contra a tuberculose. Além dessa medida, vale procurar um médico em caso de contato com alguém contaminado, devido à possibilidade de inalação do bacilo causador do mal.

Mas calma. O contato com pacientes em tratamento, a partir do 15º dia, é menos perigoso. Isso porque o risco de contágio é menor nessa fase. E quem sofre com tuberculose também não precisa ser totalmente isolado, já que a doença não é transmitida por contatos como um simples aperto de mão.


Então, não há motivo para pânico e nem para ignorar sintomas que indiquem tuberculose. Com um diagnóstico precoce e um bom tratamento - combinado à alimentação e hábitos saudáveis -, a chance de cura é de quase 100%. Assim, vidas podem ser salvas e estatísticas, mudadas.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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