Touca anticâncer - médicos questionam sua eficácia

Touca anticâncer  médicos questionam

Foto: Divulgação

Com o intuito de livrar milhares de pacientes do drama da quimioterapia, deve chegar ao mercado uma touca que promete conter o avanço do tumor. Criado pelo biofísico Yoram Palti, do Instituto de Tecnologia de Israel, o aparelho é composto por eletrodos que recebem impulsos de um gerador portátil. O campo elétrico interfere na distribuição e atuação de moléculas importantes na divisão das células cancerosas, que se multiplicam rapidamente.

Porém, para muitos médicos, essa touca destinada à cura do câncer cerebral severo, o glioblastoma multiforme, pode ser um engano. "Esse aparelho é voltado para pacientes que já passaram por todos os tratamentos possíveis contra a doença. A touca proporciona apenas um mês de vida a mais", alerta o chefe de Oncologia Clínica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês, Artur Katz.

E argumenta: "Além da touca anticâncer ter eficácia baixa, seu uso não é prático, nem confortável, pois o paciente deve ficar com ela grudada na cabeça vinte e três horas por dia e só pode tirar para tomar banho. Sem contar que a pessoa deve andar com um aparelho sempre ao seu lado, impossibilitando, de certa forma, que a mesma saia com frequência de casa."

Dr. Arthur diz ainda que no Brasil, essa novidade não foi bem aceita pelos médicos de oncologia, por eles acharem que a touca somente ilude os pacientes e familiares e não dá o resultado esperado. "O invento foi mais bem visto pela mídia do que pelos especialistas. Obviamente tem o interesse comercial de divulgar o produto, de vender. Mas, para fins científicos e práticos, não funciona".


O especialista aproveita para fazer uma afirmação importante: a touca não cura nenhum câncer. "As famílias que tiveram parentes com câncer cerebral, não podem achar, de maneira alguma, que o ente querido faleceu porque não teve a chance de usar a touca ou se martirizar pelo fato de não ter tentado usar, porque é pura ilusão", alerta.

Por Caroline Belleze Silvi (MBPress)

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