Testosterona em mulheres vale a pena?

A testosterona gera efeitos colaterais muito mais relevantes do que os possíveis resultados benéficos
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Conheça os prós e contras do uso de hormônios masculinos pelas mulheres. Foto - Istock/ mtoome

A promessa é tentadora: menos gordura corporal, músculos mais volumosos e definidos, celulite praticamente inexistente, estrias atenuadas e libido nas alturas. Segundo as simpatizantes do hormônio masculino chamado Testosterona, basta fazer uso dele para a vida melhorar.


Produzido nos testículos e nas glândulas suprarrenais, esse hormônio é responsável por todas as características sexuais dos homens – aparecimento de pelos, aumento do volume de músculos, engrossamento da voz e utilização da gordura do corpo. Está ainda ligado à libido, à agressividade e à disposição. A substância também é produzida nas mulheres, nas glândulas suprarrenais e no ovário, mas em uma quantidade 30 vezes menor.

Apesar dos supostos “benefícios”, os médicos discordam do uso indiscriminado da testosterona pelas mulheres. “Esse hormônio gera perigosos efeitos colaterais que são muito mais importantes do que os possíveis resultados benéficos”, acrescenta a Dra. Yolanda Schrank, endocrinologista que integra o corpo clínico do Delboni Medicina Diagnóstica. 

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Tomar testosterona somente para ter um corpo perfeito pode ser prejudicial à saúde. Foto - Reprodução

A lista de reações adversas provocadas no corpo feminino pelo uso sem indicação da testosterona é assustadora. “Entre elas, destacam-se o aparecimento de acne; o aumento dos pelos; o crescimento do clitóris; queda de cabelo, podendo resultar em calvície de padrão masculino; retenção hídrica que provoca inchaço e alterações no comportamento, o que costuma deixar a pessoa mais agressiva”, explica Yolanda. Segundo ela, o pomo de adão, conhecido como gogó, também cresce e resulta no engrossamento da voz.

Se a dose for muito elevada ou o tempo de uso se prolongar, o quadro fica ainda mais complicado. “Pode ocorrer aumento dos glóbulos vermelhos e de fatores de coagulação do sangue, o que eleva o risco de trombose venosa. 

Por isso, os médicos alertam as usuárias de que, quanto antes o organismo parar de receber a testosterona, melhor. Se o tempo de ingestão for curto, há mais chance de os efeitos colaterais regredirem. Porém, quem demora a se dar conta do estrago fica suscetível a outros tipos de problema. “Ele não provoca dependência química, mas psicológica, o que pode estar ligado à vigorexia, síndrome em que a pessoa tem uma preocupação exagerada com o corpo ideal, com a distorção de sua imagem, de modo que se enxerga sempre muito magra e fraca mesmo quando está musculosa”, esclarece a médica.

Não restam dúvidas de que lançar mão do hormônio sem orientação médica é uma furada, mas será que existe uma maneira correta de usá-lo? Para Yolanda, se for com objetivos estéticos, não. No entanto, um profissional pode, sim, receitar o hormônio, como no caso de mulheres que apresentam a chamada síndrome da insuficiência androgênica, muito comum após a menopausa, que se manifesta clinicamente com a diminuição da função sexual e do bem-estar, fadiga, emagrecimento, instabilidade vasomotora, alterações na composição corporal e perda de massa óssea, sintomas que podem ser atribuíveis a diferentes etiologias, muitas vezes dificultando o reconhecimento do diagnóstico.

Por fim, toda mulher em uso de reposição hormonal, seja feminina ou masculina, deve ser submetida a uma avaliação individualizada, e seu uso não é recomendado em pacientes com câncer de mama ou endométrio, doença cardiovascular e doença hepática.

Por Thamirys Teixeira

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