Saiba mais sobre a cirurgia de redução do estômago

Saiba mais sobre a cirurgia de redução do estômago

O número de cirurgias bariátricas (de redução do estômago) está crescendo no Brasil. Muitos brasileiros vêm buscando essa alternativa contra a obesidade.

Entretanto, a cirurgia bariátrica é indicada para pacientes que sofrem com obesidade mórbida, ou seja, que tenham Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40 kg/m² ou acima de 35 kg/m² quando há doenças associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão, apnéia do sono, refluxo gástrico ou problemas articulares.

É o que afirma o médico cirurgião Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

"Para ser candidato à cirurgia, o paciente deve ter tentado perder peso pelo tratamento clínico (dietas, exercícios e medicação) por pelo menos dois anos sem sucesso. Já em relação à idade não há restrições, para pessoas entre 18 e 65 anos", explica.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 49% dos adultos brasileiros estão acima do peso e 14,7% são obesos. De acordo com pesquisa da SBCBM, cerca de 3% da população brasileira sofre com a obesidade mórbida.

Segundo Ricardo, as razões do crescimento do número de cirurgias bariátricas é, em primeiro lugar, o aumento da obesidade, um reflexo da alimentação inadequada e da vida sedentária dos brasileiros. E em segundo lugar, a modernização da técnica cirúrgica, com a aplicação de métodos menos invasivos, como a videolaparoscopia.

Na cirurgia aberta convencional, o médico precisa fazer um corte de pelo menos 20 centímetros no abdômen do paciente, enquanto na videolaparoscopia são feitas de quatro a cinco mini-incisões de 0,5 a 1,2 cm cada uma, por onde passam as cânulas e a câmera de vídeo.

O registro fica gravado e o paciente pode levar uma cópia do DVD consigo, o que constitui em um documento da operação. Pesam a favor da videolaparoscopia redução do tempo de cirurgia, menos dias de internação, diminuição do risco de infecção, menor incidência de hérnia no local da incisão e a possibilidade de o paciente voltar às atividades normais em menos tempo.

A cirurgia da obesidade é indicada para pacientes que não conseguem perder peso pelo tratamento clínico convencional e se encaixam nos parâmetros de Índice de Massa Corpórea (IMC) citados anteriormente.

O índice de massa corpórea (IMC) é calculado pela divisão do peso (em quilos) pela altura (em metros) elevada ao quadrado.

IMC menor que 18,5 - Baixo peso

IMC de 18,6 a 24,9 - Peso normal

IMC de 25 a 29,9 - Pré-obesidade (sobrepeso)

IMC de 30 a 34,9 - Obesidade leve

IMC de 35 a 39,9 - Obesidade moderada

IMC de 40 a 49,9 - Obesidade severa

IMC de 50 ou mais - Superobesidade

Os riscos desse tipo de cirurgia são os mesmos de outras cirurgias abdominais, por isso deve ser feita em hospital com estrutura adequada e por médicos associados da SBCBM que pratiquem os procedimentos regulamentados pelo CFM.

Segundo o especialista, nas cirurgias disabsortivas (técnicas que permitem ao paciente comer, no entanto atrapalham a absorção dos nutrientes), é comum haver falta de nutrientes devido à baixa ingestão de alimentos e é necessária a suplementação vitamínica. "Mais raramente, a cirurgia pode gerar complicações como tromboembolismo (entupimento de vaso sanguíneo), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, infecções internas e pneumonia, entre outras gravidades", afirma.


Também é importante ressaltar que a cirurgia de redução do estômago não é uma solução milagrosa. Tanto a cirurgia bariátrica como os medicamentos, por exemplo, são ferramentas para ajudar na manutenção de um estilo de vida saudável. "O paciente precisa estar disposto a passar por uma mudança de hábitos, abandonando antigos costumes nocivos e adotando uma alimentação equilibrada e prática de exercícios", conclui o cirurgião.

Por Jessica Moraes

Comente