Preconceito faz obesos comerem mais

Preconceito faz obesos comerem mais

Não é difícil perceber que nenhuma pessoa é igual à outra. Algumas mais baixas, mais magras, outras mais altas e acima do peso. No Brasil o comum é ser diferente, seja branco, negro, pardo, indígenas ou descendentes de orientais. Mas então por que há tanto preconceito? Embora não tenhamos a resposta para esta pergunta, fica muito claro que muita gente sofre com este ato.

Entre as pessoas mais atingidas estão os obesos. Se observar os objetos ao seu redor notará que tudo, ou quase tudo, foi feito pensando em uma pessoa magra. Bancos de transporte público, os de bicicletas, cadeiras em geral, poltronas de avião, catracas e até mesmo roupas. Muitos obesos não conseguem espaço para mostrar quem eles são.

"Já ouvi desaforo no ônibus, no shopping, no meio da rua...", afirma Renata Alves, 28 anos, tradutora e professora de inglês. Segundo uma pesquisa da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, pessoas que sofrem qualquer tipo de preconceito são mais suscetíveis a ganho de peso. O estudo mostrou que as mulheres tiveram um aumento de 1,88 centímetros, em média, na circunferência da cintura. "Infelizmente, isso só piora a minha situação, porque cada vez que eu saio e sou metralhada por alguém, meu vício piora e eu me sinto mais fragilizada", lamenta Renata.

A tradutora afirma que, assim como usar drogas, comer pode se tornar um vício. Para ela esse é um ato de compulsão. Renata revelou fazer dieta desde os seis meses de vida. Em meados de 2006, chegou a pesar 64 quilos. "Durante esse período eu parei de comer totalmente. Comia no máximo uma salsicha e refrigerante diet por dia. Fiquei doente, fraca, desmaiava sempre, então voltei a comer depois", relata. Hoje Renata pesa 140 quilos.

A jovem buscou tratamento médico a fim de perder peso. "Estou fazendo terapia e me consultando com nutricionista e endocrinologista desde o ano passado", revela a professora. Para ela o pior momento foi depois que voltou a engordar. A partir daquele momento os preconceitos aumentaram. "No ônibus fazem cara feia para dividirem o banco comigo. Ai de mim se sentar no banco do idoso. Já tomei tapas de várias senhoras com a desculpa de que sou preguiçosa e tenho mais é que ficar em pé mesmo", dispara a tradutora.

Esse tipo de comportamento não é restrito aos passageiros. Renata conta: "Motoristas de ônibus também já sacanearam dizendo que era para eu descer no ponto anterior porque ‘gente assim como eu, tem que aprender a caminhar um pouquinho’". "Já tive namorados que se incomodaram com o meu ganho de peso e cobravam que eu emagrecesse. Diziam que ninguém ia querer ser visto namorando uma gorda", completa.


Como é se sentir rotulado pela sociedade? O obeso não encontra espaço para mostrar suas qualidades e personalidade e passa a ser ridicularizado ao subir na balança ou comprar roupas de tamanhos diferenciados. "Quando te enxergam só como uma ‘gorda’, você começa a se ver sozinha num abismo e isso vira uma bola de neve. Comer passa a ser punição e você quer se punir por se sentir incapaz. É com esse sentimento que eu convivo o tempo todo. O sentimento de fracasso", desabafa Renata.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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