Polêmica sobre os remédios para emagrecer

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No dia 23 de fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou uma audiência pública para discutir o cancelamento do registro dos medicamentos inibidores de apetite - que contêm sibutramina, e dos anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol) -, mediante a afirmação de que estes produtos causam mais danos ao corpo do que benefícios, mas foi pressionada por entidades médicas e farmacêuticas e acabou adiando a decisão de proibir a venda de remédios para emagrecer.

Médicos endocrinologistas também não concordam com a proibição. Alguns alegam que a luta contra a obesidade se tornará mais difícil sem o uso dessas drogas. O presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Márcio Mancini, alerta que a premissa que diz que o controle da obesidade é possível apenas com mudanças de hábitos, usada pela Anvisa, não funciona para todos os pacientes - que chegam a perder 30 kg com ajuda de remédios -, os principais prejudicados com a proibição do medicamento.

"Diferente dos estudos clínicos, na qual o remédio é dado para todos os indivíduos que participam da pesquisa, sendo mantido ao longo da pesquisa mesmo sem resposta, na prática clínica apenas mantemos o remédio no paciente que não tem problemas e efeitos colaterais e que tem respostas ao tratamento", explica.

O principal motivo que leva médicos a se mobilizarem contra a proibição consta no fato de que, segundo o endocrinologista, o órgão divulgou um documento tendencioso para embasar a suspensão das vendas dos inibidores de apetite. "A Anvisa revisou os mesmos artigos que nós revisamos quando redigimos a diretriz de tratamento da obesidade há alguns meses, selecionando apenas os dados negativos."

De acordo com ele, o documento teria ainda erros e viés claro. "Ele coloca que a sibutramina levou a uma redução de peso pequena e por isso não teria benefício, mas a base do estudo não foi desenhada para a avaliação de perda de peso, mas sim de pacientes cardíacos, idosos e pessoas que não podiam fazer exercício físico. Além disso, as análises foram feitas há 10 anos".

"Extrair só os efeitos colaterais não está correto. Na apresentação foi colocado que a sibutramina aumentava risco de suicídio, quando o grupo placebo teve o dobro de suicídios. Não confio num documento que foi escrito de forma parcial", completa.

O médico torce para que a Anvisa tome uma decisão que não prejudique os pacientes, alegando que o tratamento da doença obesidade será "muito mais difícil". Além disso, Mancini expõe o fato de que, certamente, a medida poderá aumentar o número de cirurgias bariátricas, que oferecem menor grau de manutenção do resultado.

Posicionamento da Anvisa

Para a Anvisa, produtos a base de sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol - substâncias que agem no sistema nervoso central - causam mais danos do que benefícios ao paciente. Segundo nota técnica da área de Farmacovigilância e da gerência de Medicamentos da Anvisa, a sibutramina é pouco eficiente no auxílio à perda de peso e apresenta pouca manutenção em longo prazo, além do aumento do risco cardiovascular.

O órgão também alega que medicamentos anorexígenos - anfepramona, femproporex e mazindol - apresentam graves riscos cardiopulmonares e do sistema nervoso central.


A sibutramina age no cérebro, na região do hipotálamo, aumentando os níveis de serotonina e noradrenalina, substâncias que atuam no sistema nervoso central levando ao aumento de saciedade e diminuição do apetite. Os anorexígenos anfetamínicos dietilpropiona, também agem no sistema nervoso central, diminuindo o apetite.

Segundo dados da Anvisa, a população brasileira lidera o mercado mundial em consumo de anorexígenos, de modo que, no ano de 2009, foram vendidos no país três toneladas de anfepramona, 1,8 toneladas de sibutramina, uma tonelada de femproporex e dois quilos de mazindol.

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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