Placentofagia: saiba tudo sobre o ato de comer placenta

A técnica popular é feita sem pedido médico e não existem provas dos benefícios. Na hora do preparo, mulheres criam smoothies, sashimis e até comem a placenta em picadinhos
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Smoothie feito com placenta é bebido no período pós-parto pela mãe. Foto - Reprodução/doulasoforlando

Você comeria (ou beberia) sua própria placenta? Esta pergunta pode parecer um tanto quanto esquisita, mas acredite, comer placenta está ficando cada vez mais comum entre as mulheres dos Estados Unidos, Europa e até Brasil. Prova disso é a nova bebida 'da moda' entre as mulheres no pós-parto: smoothie de placenta!


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O marido de Georgina foi quem preparou a bebida. Ele até chegou a experimentar por curiosidade. Foto - Reprodução/DailyMail

"Eu li que cerca de três dias após o nascimento, há uma onda de hormônios que podem fazer a mãe se tornar muito emocional, e as vezes provocar a depressão pós-natal", explica ela. A mulher tomou dois smoothies no segundo dia após o parto e três no terceiro dia. Seu marido, Carlo, também experimentou por curiosidade.

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Foto - Reprodução/DailyMail

"Comer a placenta foi minha alternativa para repor hormônios, adicionar vitaminas e minerais. Senti que valia a pena tentar, mesmo que haja pouca evidência médica para apoiar a teoria", disse.

E de fato, não há. Ainda não existe nenhum estudo que comprove que ingerir a placenta ajuda a diminuir o sangramento pós-parto ou mesmo contribui para que o útero volte ao seu tamanho normal mais rápido, nem que a prática enriquece a produção de leite ou previne a depressão pós-parto.

Mesmo assim, há quem defenda a placentofagia, tanto que aqui no Brasil, algumas mulheres já aderiram à prática. É o caso da naturopata e doula Nayana Caetano, de Goiânia (GO). Ela disse, assim que ficou sabendo da possibilidade de comer a placenta, questionou a obstetra do seu primeiro parto para saber se poderia de fato ingerir uma parte do órgão.

"Ela alegou que isso era coisa de bicho, para mim, mamífera vegetariana que sou, foi mais um estímulo!", afirma. "Em meu segundo parto, a própria médica que me assistiu deu-me na boca um pedaço por conhecer e concordar com os benefícios dessa prática", conta. É importante frizar que apenas equipes humanizadas participam desse processo. Nos hospitais, o comum é descartar a placenta logo após o parto", afirma.

Para praticar a  placentofagia as mulheres inovam, inclusive nas opções gastronômicas. "As variações dos preparos que pode-se fazer a partir da placenta são inúmeros desde sashimis a shakes, passando por picadinho com ou sem cogumelos. Vai da preferência gastronômica de cada um", explica.

Há mães que desidratam a placenta e a ingerem, por meio de cápsulas, durante a amamentação. Nayana faz esta prática e explica como funciona: "A placenta é desidratada vagarosamente (entre 40 e 60ºC) e moída para ser encapsulada".

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Foto - Reprodução/mamirami

A jornalista Roberta Lotti (32), de São Paulo, comeu a placenta após o seu primeiro parto (2013) com a finalidade de acelerar a cicatrização do corpo. "A parteira havia dito que só seria necessário ingerir um pedacinho, mas como tive uma pequena hemorragia pós-parto, comi seis pedaços para ajudar a estancar o sangramento com mais rapidez. Além da função medicinal, para mim tem a questão ritualística, pois considero a placenta um órgão sagrado que protegeu e alimentou meu filho durante nove meses. Graças a placenta, ele tem a vida! Então ingerir um pedacinho deste órgão é como reverenciar e agradecer, é como a finalização do parto", explica.

E você, o que acha dessa polêmica?

Por Thamirys Teixeira

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