Pílula para parar de menstruar é saudável?

Parar ou não de menstruar eis a questão

Menstruação é um incomodo, sempre foi. Porém, o século XX deixou um legado importantíssimo para a autonomia feminina: as famosas e polêmicas pílulas anticoncepcionais. Embora elas tenham sido inventadas há cerca de 70 anos, pouca coisa foi comprovada a respeito deste medicamento. Para complicar ainda mais, ela está sendo usada de forma contínua a fim de parar a menstruação.

A ginecologista e obstetra Denise Gomes, Diretora Médica da Plena Clínica não acredita que o uso sem pausa de anticoncepcionais, ou seja, emendar uma cartela na outra, ofereça mais riscos à mulher do que a forma cíclica. "Para as mulheres aptas ao uso de hormônios contraceptivos, o esquema de uso pode ser com ou sem pausa, com efeitos semelhantes ao organismo", diz a médica. É importante ressaltar que estes hormônios devem ser usados sob prescrição médica por pessoas sem contraindicação ao método.

Dra. Denise Gomes não é a única a ter esta opinião. A Dra. Tatiana Pfiffer, ginecologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e o ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli Borges Filho acreditam que o uso contínuo de pílulas anticoncepcionais não agride mais o organismo do que o uso cíclico.

"Como riscos mais comuns dos anticoncepcionais podemos citar o aumento de varizes, a enxaqueca e a redução da libido", diz Dra. Denise. "Distúrbios mais severos como a trombose venosa e pulmonar são raros e o esquema de uso não implica em maior risco", completa. Dra. Tatiana lembra outros efeitos colaterais: "Acne, náuseas e, em casos mais raros, um acidente vascular cerebral". Mulheres tabagistas, com histórico de enxaqueca, de idade superior a 40 anos e com histórico familiar ou pessoal positivo de doença tromboembólica, devem evitar o método.

Há pesquisadores que abominam o uso contínuo da pílula. "Eles alegam que a menstruação é um evento fisiológico da mulher, e que bloqueá-la pode trazer complicações ainda não determinadas", afirma o Dr. Domingos Mantelli Borges Filho. "Já aqueles que defendem o consumo contínuo desse medicamento dizem que a mulher atual menstrua mais que a mulher do passado, pois demora mais a engravidar e tem número reduzido de filhos. A menstruação pode trazer consequências, como doenças ginecológicas, além de distúrbios emocionais e prejuízo na vida profissional", completa.

A Dra. Tatiana Pfiffer conta que algumas de suas pacientes, principalmente as mais novas, acabam ficando muito preocupadas ao não menstruarem. "Elas querem sempre ter certeza de que não estão grávidas. Para quem tem este excesso de preocupação eu não recomendo", diz a médica.


Há casos em que a suspensão da menstruação é recomendada por médicos. O Dr. Domingos Mantelli Borges Filho exemplifica: "Em casos de miomatose uterina com hiperfluxo menstrual, endometriose, adenomiose, síndrome de Tensão Pré Menstrual e no período de amamentação". Dra. Tatiana Pfiffer completa: "Após um exame clinico detalhado, costumo recomendar o uso continuo de pílulas para pacientes que ficam de cama ou chegam a ter anemias por conta do período menstrual."

Por Bianca de Souza (MBPress)

Comente