Pílula do dia seguinte: superdosagem diminui eficácia

Pílula do dia seguinte  superdosagem

Durante o Carnaval surgem as inúmeras campanhas de conscientização sobre a importância do uso de métodos contraceptivos. Nesta época é muito comum as mulheres fazerem uso da Pílula do dia seguinte de maneira desenfreada, atitude que raramente causa os efeitos inicialmente desejados.

Segundo Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista, sexóloga e coordenadora do Projeto Afrodite, ambulatório de sexualidade feminina da UNIFESP, tomar a pílula do dia seguinte várias vezes seguidas pode prejudicar a eficácia do produto, aumentando o risco de uma gravidez indesejada.

"Além disso, a dose frequente desregula o ciclo menstrual, fazendo com que ela atrase ou venha várias vezes, causa enxaqueca e efeitos gastrointestinais, como vômitos e náuseas", alerta. A médica explica ainda que estes efeitos colaterais são imediatos e que depois de 15 dias o organismo tende a voltar ao seu funcionamento normal.

A pílula do dia seguinte deve ser tomada em até 72 horas depois do coito. Se tomada até 12 horas depois da relação, o efeito é maior. O medicamento deve ser evitado por mulheres que sofrem de insuficiência renal, pois estas não têm capacidade de metabolizar o hormônio. Quem apresenta enxaquecas severas, riscos de trombose ou cardiopatia também devem evitar.

O medicamento age da seguinte forma: se a fecundação ainda não aconteceu, ele tende a dificultar o encontro do espermatozóide com o óvulo. Caso já tenha ocorrido a fecundação, a pílula provoca uma descamação na parede do útero, impedindo que o óvulo consiga se fixar. Agora se a fecundação já começou, não adianta mais tomar o medicamento.


Dra. Carolina acha que esta pílula deveria ter acesso mais facilitado, uma vez que deve ser tomada em casos de emergência. E finaliza: "Há mulheres que se preocupam apenas em evitar a gravidez, priorizam a pílula e se esquecem da proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. O preservativo nunca deve ser deixado de lado nas relações sexuais."

Por Juliana Falcão (MBPress)

Comente