Pesquisas questionam eficácia do colesterol "bom"

Pesquisas questionam eficácia do colesterol bom

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

Quem até hoje acreditava que HDL, conhecido como "colesterol bom", tinha realmente um efeito benéfico ao organismo, pode estar enganado. Dois novos estudos colocam em dúvida se o HDL realmente representa menor risco de infarto, protegendo o coração.

Uma pesquisa publicada na revista médica "Lancet" mostra que, em pessoas com tendência genética a ter altos níveis de HDL, o "colesterol bom", não houve menor risco de infarto. Foram analisadas 116 mil pessoas. Os pesquisadores verificaram que elas tinham um gene conhecido por aumentar os níveis de HDL presente em 2,6% da população. Quem tinha a variação supostamente protetora, no entanto, não teve menos risco de sofrer um infarto.

O mesmo resultado foi encontrado quando foram pesquisadas outras 14 variações genéticas também associadas a um nível maior de HDL. Para efeito de comparação, os pesquisadores também verificaram o risco cardíaco de pessoas com genes que aumentam o colesterol "ruim", o LDL. Quem tinha essa variação sofria mais infartos do que a população em geral, o que confirma que o colesterol ruim é realmente muito prejudicial à saúde humana.

Mas os achados da pesquisa põem em xeque a busca de tratamentos para elevar o HDL, lipoproteína responsável por "limpar" as artérias e que tem ação anti-inflamatória e antioxidante.

Um segundo estudo, publicado na revista da "American Heart Association", mostra que o HDL, na verdade, não é só bom, ele tem uma parte boa e outra ruim, dependendo da presença de uma proteína inflamatória ligada a ele, a apoC-III.

A pesquisa, feita por pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, analisou as lipoproteínas do sangue de mais 52 mil mulheres e 18 mil homens. Os resultados foram comparados com os eventos cardiovasculares sofridos pelos grupos. A presença da proteína inflamatória apoC-III no HDL foi associada com maior risco para o coração.

Segundo o diretor da Unidade Clínica de Lipídes do Instituto do Coração (Incor), cardiologista Raul Dias Santos, os trabalhos põem em evidência o fato de que o HDL não é uma coisa só. "Dependendo da mutação que a pessoa tenha ou do remédio que tome, o HDL pode subir, mas o aumento pode não ser no tipo protetor."


Por enquanto, afirma o médico, é difícil separar os diferentes tipos de HDL nos exames de rotina, mas isso pode ser possível no futuro. No entanto, os resultados dos estudos não devem mudar a forma como os médicos usam os números do colesterol para determinar o risco cardíaco.

"O LDL alto continua sendo ruim e o HDL baixo ainda é um indicador de risco cardíaco. Fumo e obesidade estão associados ao HDL baixo. O que se questiona agora são os tratamentos para elevar o HDL", conclui.

Por Carmem Sanches

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