Pesquisas afirmam que solidão é prejudicial à saúde

Pesquisa afirma que solidão é prejudicial à saúde

A Universidade Brigham Young, nos EUA, descobriu que pessoas que vivem rodeadas de amigos e vizinhos podem viver até 50% mais do que quem vivem só. A pesquisa estudou a influência dos círculos sociais sobre a saúde. E afirma que solidão pode ser pior que obesidade à saúde.

Publicada na revista PLoS Medicine a pesquisa analisou dados de cerca de 150 estudos. Os pesquisadores norte-americanos acreditam que ter poucos amigos pode ser tão prejudicial à sobrevivência de uma pessoa quanto fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólatra, por exemplo. A solidão pode até ser mais prejudicial que a obesidade.

Tomar conta de outra pessoa, segundo os cientistas, nos leva a cuidar melhor de nós mesmos. Uma das líderes do estudo, a pesquisadora Julianne Holt-Lunstad, afirmou que quando alguém está conectado a um grupo e se sente responsável por outras pessoas, cuida melhor de si e assume menos riscos.

A pesquisa aponta que a falta de apoio social diminui as chances de sobrevivência mais do que a obesidade e sedentarismo. Para obterem os resultados o estudo analisou 300 mil pessoas, de todas as idades, nos quatro continentes por sete anos, sem levar em conta o estado de saúde inicial. As redes sociais, aparatos modernos e novas tecnologias, segundo pesquisadores, podem levar as pessoas a acreditarem que não necessitam de um convívio cara a cara, o que é perigoso.

O autor do livro Solidão, o psicólogo John T. Cacioppo, afirma que o isolamento é uma "dor social", que pode causar males físicos e mentais graves, já que os seres humanos são mais interdependentes do que acreditam. Cacioppo é criador da neurociência social e sem eu livro mostra as consequências do isolamento das sociedades do século XXI, que se afastam cada vez mais de suas referências ancestrais que indicam a necessidade de convívio. Nossa espécie humana precisa estar segura em seus laços e estar satisfeita, entre outras coisas, para que viva com saúde e bem estar.

Imunidade e solidão

Um outro estudo, recém-concluído, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, afirma que pessoas que se queixam de uma vida reclusa possuem genes menos ativos na proteção contra vírus. "Os sociáveis estão naturalmente mais propensos a contrair viroses porque estão em maior contato com outros indivíduos", afirmou o psicólogo Steve Cole, líder do trabalho.

Quem vive afastado do mundo está menos exposto a micróbios mas acaba apresentando um sistema imune, mas que não tem tanta necessidade de enfrentá-lo. Em compensação as defesas deles passam a se concentrar nas bactérias, o que gera uma reação inflamatória recorrente.


Solidão contagiosa

Outro estudo de Universidades americanas sugere ainda que a solidão pode se espalhar entre grupos de pessoas. A pesquisa da Universidade da Califórnia San Diego, Universidade de Chicago e de Harvard descobriu que pessoas solitárias tendem a dividir a solidão com outras pessoas. Desta maneira,essas pessoas acabam, em grupo, se afastando dos seus círculos sociais.

Por Catharina Apolinário

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