Pesquisa contesta a eficácia da acupuntura

Pesquisa contesta a eficácia da acupuntura

Um artigo publicado este mês no "Journal of Pain" tem causado polêmica. Após uma análise de revisões de estudos realizados na Europa, Ásia, nos EUA e no Canadá sobre a eficácia da acupuntura contra dores de cabeça, coluna e ombros ou por conta de problemas como fibromialgia,câncer, artrite reumatoide e cirurgias, chegou-se à conclusão de que o procedimento não é positivo em todas as partes do corpo.

Aparecida Enomoto, graduada em MTC - Medicina Tradicional Chinesa, com especialização em Acupuntura pela Universidade de Medicina Tradicional de Beijing e em fisioterapia, com especialização em UTI Respiratória no Brasil, é uma das profissionais que discorda com veemência do artigo. "Não dá para contestar a acupuntura. Ela age no Sistema Nervoso Central!", afirma.

A especialista explica que o princípio da acupuntura está no Sistema Nervoso Central, que tem a função de defender o corpo humano de agressões. Quando nos cortamos, por exemplo, o SNC vai tentar estancar o sangue. Se sentimos dor, ele vai produzir endorfina. Ou seja, ele dá um aviso ao cérebro toda vez que o nosso corpo sofre, visando procurar respostas para resolver o problema. O mesmo acontece quando estamos com fome ou sono. "O que um chinês descobriu é onde picar, onde potencializar a resposta deste sistema", conta.

Para Dra. Aparecida o estudo acerta ao falar que a acupuntura simulada - feita com esferas, sementes e palitos de dente - são placebo. "O estímulo auricular (colocar esferas no ouvido) é um auxiliar. A questão é que as pessoas precisam lembrar de que estão sendo tratadas. As esferas ou sementes de servem como uma memória para o paciente", comenta. "Agora o procedimento com agulhas não é placebo. Fazemos acupuntura em animais, pacientes em coma. E eles não têm capacidade de acreditar que estão sendo curados", lembra.

A especialista faz questão de esclarecer também que as agulhas não provocam efeitos colaterais. O que existe é erro médico, provocado por pessoas leigas. "Existem pontos letais e outros contraindicados. Portanto, quem aplica o procedimento precisa ser paramédico e conhecer muito bem anatomia", alerta. "Acupuntura é diagnóstico, não é só colocar a agulha. Se você tiver uma diarreia forte e eu colocar uma agulha tonificando o seu intestino grosso, seu problema vai aumentara absurdamente. Mas seu eu colocar a agulha na direção de sedação, melhora substancialmente", esclarece.


E alfineta: "Não se estuda a fundo os benefícios da acupuntura porque, além de não haver verba não há interesse. Nenhum laboratório está disposto a apoiar uma causa que pode reduzir a venda de medicamentos".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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