Pesquisa aponta maior prevalência de dor crônica em mulheres

Pesquisa aponta maior prevalência de dor crônica e

Ninguém gosta de ter dor. Por menor que ela seja, incomoda e, às vezes, impede de realizar as atividades do dia-a-dia. Imagine então quando a dor é crônica - aquela que persiste por meses e atormenta o paciente pelo menos três vezes por semana? Com certeza não é fácil.

Esse tipo de dor costuma aparecer mais em pessoas que estão acima do peso ideal (46,1%), pelo menos na cidade de São Paulo. Foi isso que apontou a 2ª fase do EPIDOR - Estudo Epidemiológico da Dor no Município paulista. A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e patrocinada pela Janssen-Cilag Indústria Farmacêutica. Foram ouvidos 2446 moradores de vários bairros da cidade - que foi escolhida por sua representatividade populacional, semelhante a do Brasil - e maiores de 18 anos.

Conforme o estudo, os mais afetados são os aposentados (36%), os autônomos (35,7%) e as donas de casa (33,3%)! E não só elas, mas as mulheres, em geral, precisam mesmo tomar cuidado, já que a maior prevalência dessa dor em estágio crônico é em indivíduos do sexo feminino (34%).

De acordo com o Rogério Teixeira da Silva, do Comitê de Traumatologia Esportiva da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as mulheres desenvolvem doenças como a fibromialgia com bastante frequência. "A artrite reumatóide, por exemplo, atinge uma média de cinco a sete mulheres para cada homem. Acredita-se que a maior ocorrência em indivíduos do sexo feminino seja por razões hormonais, mas não há provas concretas".

O levantamento mostrou ainda a prevalência de dores crônicas nos membros inferiores (22%) e nas costas (21%). "Os dados confirmam as reclamações da maioria dos pacientes atendidos nos consultórios", observa o ortopedista Rogério.

Os locais mais doloridos nos paulistanos podem ser resultado do estilo de vida. Afinal, a maioria das pessoas vive em grandes cidades e, consequentemente, passa várias horas por dia sentada da maneira errada, forçando a coluna. Além disso, por falta de orientação ou de vontade mesmo, não aprendem a se abaixar e levantar de uma forma que não prejudique a região lombar.

O estudo destacou outra informação alarmante: muita gente que sofre com dores crônicas não utiliza nenhum tipo de tratamento. Entre os indivíduos que se queixaram de dor nos membros inferiores, isso acontece em 54,6% dos casos; entre os que apresentaram dores nas costas o número é menor, mas expressivo: 45,1%. "Essa constatação é muito séria, pois o correto é tratar a dor ainda na fase aguda (aquela que ainda se encontra no estado inicial), para que o quadro não se agrave", diz Rogério. Ele explica que o organismo pode criar uma memória da dor se não a tratarmos desde que ela surge. Nessa situação, a causa pode ser combatida, mas a dor em si, não.

Para não correr esse risco, o ortopedista ensina que os pacientes podem tomar um analgésico leve - Paracetamol, Dipirona, etc. - se sentirem uma dor, por até duas semanas. Se não melhorarem, devem procurar orientação médica. Quando o assunto são os relaxantes musculares, cuidado. "Em geral, tais remédios só fazem efeito depois de dois ou três dias de uso. Por isso, o ideal é consultar um especialista para saber quanto tempo eles deverão ser ingeridos", fala Rogério.

Quem estuda menos (tanto os homens quanto as mulheres) também tem mais dores crônicas. Entre os analfabetos, o índice é de 33,7%, enquanto nas pessoas com mais de 15 anos de estudo a porcentagem cai para 23,5%. O dado pode ilustrar que a falta de conhecimento impede que dores sejam tratadas enquanto ainda são agudas, evoluindo para o estágio mais grave e se tornando crônicas.

De acordo com o ortopedista, a dica para evitar as dores crônicas é evitar o sobrepeso. Para tanto, leve uma vida saudável, praticando exercícios físicos regularmente e aposte numa alimentação balanceada. E não ignore as dores mais leves; se elas persistirem por algum tempo, procure um médico. Afinal, como diz o velho ditado, é bem melhor prevenir que remediar.


Você encontra mais informações no blog criado pelo Comitê de Traumatologia Desportiva da Sociedade Brasileira de Ortopedia: www.abcdor.com.br.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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