Perigos dos ansiolíticos e antidepressivos

Mulheres dependentes de antidepressivos

A dependência de antidepressivos e ansiolíticos começou a ser encarada como um problema grave e muito sério na sociedade. Segundo boletim da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no período de 2007 a 2010 os ansiolíticos foram as substâncias controladas mais consumidas pela população brasileira. Já os antidepressivos aumentaram as vendas em cerca de 45%.

De acordo com os dados da ANVISA, o volume nas vendas desses medicamentos cresceu de 29,46 mil caixas, em 2007, para 10,59 milhões de caixas em 2010. Para o psicólogo clínico e escritor Odair J. Comin, o que impulsionou o aumento nas vendas, além do custo acessível, é esta necessidade de resultados imediatos para sintomas como estresse, desânimo e ansiedade.

Outro fator é a facilidade em acesso a psiquiatras que medicam as pacientes, viabilizando soluções para estes tipos de problema. Comin explica que o acesso a essas drogas lícitas é um bem e um mal. "Na medida em que se usa de forma indiscriminada, criam-se viciados. E viciados deixam de lado a razão, quando ela deveria ser o guia principal", afirma. "Toda substância sintética, teoricamente, é um corpo estranho em nosso organismo. É uma substância agindo sobre seu corpo, como se você fosse um boneco manipulado", alerta ele.

Vale destacar a diferença entre ansiolítico e antidepressivo. O ansiolítico é um fármaco que trata a ansiedade. Seu uso é indicado para tratar a irritabilidade, a insônia e para produzir um efeito relaxante muscular. Já o antidepressivo é um remédio usado para tratar casos de depressão que são a tristeza, angústia, diminuição da energia, falta de concentração, desinteresse, alterações do sono e do apetite, idéias de culpa, de autodesvalorização e desejo de suicídio.

Segundo o psicólogo clínico, esses medicamentos interferem no funcionamento natural da química biológica e isso pode levar uma mulher a ser viciada, pois o organismo criará a necessidade de continuar recebendo os estímulos gratuitamente. "O medicamento é como uma poção mágica que pode trazer um alívio e sensação de proteção", diz ele.


Odair relata que uma mente saudável é capaz de produzir toda a química de que o corpo precisa e que o medicamento só deve ser utilizado para ocupar uma lacuna criada pela não observação de limites. "Aprender a lidar com as emoções é ter mais consciência das escolhas que faz e suas causas", conta. "É importante pensar sobre os porquês de tal condição, impor mudança de hábitos, repensar escolhas e rever seus objetivos", finaliza.

Por Stefane Braga (MBPress)

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