Os riscos da automedicação

Os riscos da automedicação

Quem nunca tomou um analgésico sem prescrição médica, para acabar com aquela dor de cabeça irritante, febre ou dor no corpo? Pois é, a automedicação é cada vez mais comum entre os brasileiros. De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias (ABIFARMA), 80 milhões de pessoas têm o hábito de se automedicar. O problema é que essa atitude traz sérios riscos à saúde.

O cardiologista e presidente da regional de Marília da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), Paulo Celso dos Santos Moreira, lembra que os medicamentos tomados sem indicação médica podem, inclusive, ter o efeito contrário ao esperado pelo indivíduo. "Remédios podem melhorar ou piorar a situação de quem os ingere. Quando isso é feito sem orientação de um especialista, há risco de que a situação piore tanto que o paciente morra ou precise ficar internado. Na minha área, cardiologia, grande parte dos medicamentos tem o poder de matar", diz.

O especialista alerta que os anti-inflamatórios, como o diclofenaco, aumentam o risco de morte vascular, além de elevar a pressão arterial e irritar o estômago. Outro tipo de remédio que é comumente vendido sem receita médica são os antibióticos. "Isso é grave, pois o organismo pode se acostumar com determinado antibiótico, impedindo que o medicamento tenha algum resultado", declara.

Os diuréticos também são usados de forma indiscriminada por muitos pacientes, e podem causar desidratação ou até insuficiência renal. "Esse é o tipo de medicamento que o paciente não deve tomar sem prescrição médica, nunca. Só que as pessoas acham que, se alguma parte do corpo incha, devem tomar um diurético, o que é um mito. Aquela região pode ter inchado por outras razões, como uma disfunção venosa", afirma.

Combinar dois ou mais remédios é perigoso. "Vários medicamentos são antagonistas ou incompatíveis. Se um homem toma um dilatador de vasos, por exemplo, combinado ao Sildenafil (princípio ativo do Viagra), pode levá-lo a sofrer hipotensão", decreta o especialista. Ingerir quantidades diferentes daquelas escritas na receita médica é outro erro recorrente entre os pacientes: "Tomar um comprimido inteiro ou metade dele pode significar a cura ou a morte de um indivíduo".

Segundo Paulo, o ideal seria que as pessoas só tomassem remédio quando receitado por um médico. Mas a realidade brasileira impede que isso aconteça, pois é difícil, especialmente para as classes mais baixas, conseguir uma consulta médica. "Tomar um analgésico não oferece tantos riscos à saúde. Se a pessoa estiver com dores insuportáveis, como a dor de dente, pode até fazer uso de medicação. O importante é que ela saiba que a dor é apenas o sinal de um problema mais grave, que precisará do acompanhamento de um especialista", declara.


Então, é essencial conhecer os efeitos de uma substância antes de ingeri-la. E os profissionais capacitados para receitar medicamentos a fim de melhorar a saúde dos pacientes são os médicos. Por isso, não é bom sair tomando remédios sem a mínima orientação, só porque um amigo ou vizinho disse que vai fazer bem. Afinal, é a sua saúde que está em jogo.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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