Novo tratamento para cicatrizes causadas por cirurgia

Novo tratamento para cicatrizes causadas por cirur

Precisar se submeter a uma cirurgia não é fácil. Há vários riscos envolvidos, inclusive o de morte, em diversos casos. E mesmo com o sucesso de uma intervenção, o sofrimento de alguns pacientes não acaba no centro cirúrgico, já que restam cicatrizes, às vezes bem aparentes. No entanto, alguns estudos visam acabar, ou pelo menos diminuir, as marcas. É o caso da laserterapia.

Esse tipo de procedimento já era utilizado por fisioterapeutas na amenização de dores decorrentes de doenças como a artrose, bursite e tendinite. A grande novidade é que agora ela também pode ser usada para melhorar o aspecto das cicatrizes causadas por cirurgias.

"A diferença do aparelho usado na laserterapia é que ele tem baixa intensidade, não produzindo calor. Por isso, ele não corta nem queima o paciente", explica o fisioterapeuta Rodrigo Leal de Paiva Carvalho, autor do estudo que comprovou a eficácia do novo tratamento. "O estudo apontou uma dosagem mínima do laser infravermelho GaAlAs 830nm, que pode ser usada para diminuir a espessura e a profundidade das lesões pós-cirúrgicas", completa.

Hoje, Rodrigo é mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) devido ao estudo, realizado com 28 pacientes, que foram divididos em 2 grupos: o "controle" - que não foi submetido à terapia - e o "experimental" - com o qual foram realizadas quatro sessões de aplicação do laser, em dias alternados, a primeira 24 horas após incisão cirúrgica de hérnia inguinal. Os dois grupos foram comparados depois de seis meses e ficou evidente a melhoria da aparência das marcas no experimental.

De acordo com Rodrigo, o estudo teve bom êxito por causa das propriedades do laser testado. "Ele é antiinflamatório, age na proliferação dos fibroblastos, que são células reparadoras do tecido e atua nas fibras de colágeno, preservando a morfologia das células, o que proporciona maior restituição do estado original da pele", afirma. Ele explica que melhores resultados podem ser obtidos quando o tratamento é iniciado de 12 a 24 horas após a cirurgia, já que a lesão não estará muito inflamada e, portanto, estará menor.


Outro benefício da laserterapia são as poucas contra-indicações. "A única recomendação é que o laser não atinja os olhos do paciente", conta o especialista. Ainda segundo ele, o tratamento não é indicado para pessoas com câncer. A razão disso é a suspeita de que o laser, que multiplica os fibroblastos, possa aumentar, também, o número de células cancerígenas. "Já existem pesquisas que mostram que o laser não é capaz de aumentar as células doentes, mas, até que isso seja devidamente comprovado, é melhor não arriscar", finaliza Rodrigo.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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