Natalia Werutsky: ela venceu a hepatite C!

Natalia Werutsky ela venceu a hepatite C

Foto: divulgação

Todos nós passamos por experiências difíceis ao logo de nossas vidas. E cada um tem uma leve noção do que pode suportar, de seu limite. Mas é nas piores situações que, se nos esforçarmos, percebemos que somos mais fortes do que nós mesmos pensamos.

Em fevereiro de 2003, no auge de seus 24 anos de idade, a hoje chef Natalia Mira de Assumpção Werutsky descobriu que tinha uma doença difícl: era portadora de hepatite C. "Foi muito difícil, um susto para mim e minha família", contou.

Ela teve o diagnóstico depois de perder mais de 14 quilos e estar com a menstruação atrasada, fatores que a levaram a fazer diversos exames. No início, nada foi detectado, e ela viajou para a Nova Zelândia. Durante a viagem, os sintomas pioraram, e, de volta ao Brasil em 2003, a moça realizou exames específicos que detectaram o vírus da doença.

Apesar de bastante comentada em geral, a maioria das pessoas não sabe muito a respeito da hepatite C. E com Natalia não foi diferente. "Não conhecia nada sobre esta doença, tive que estudar muito, pesquisar e entender minhas perspectivas de cura e progressão da doença", disse.

De acordo com o site oficial do Ministério da Saúde, o mal é uma inflamação do fígado, causada por um vírus transmitido por sangue contaminado. Um portador da doença pode ficar anos sem perceber que foi contaminado, pois na maioria das vezes os sintomas não se manifestam logo - e demoram até décadas para aparecer.

O perigo maior é que esse mal pode se transformar numa cirrose ou câncer no fígado. Ao contrário de outros tipos de hepatite, não existe uma vacina contra a hepatite C, apenas tratamento - feito com uma substância imunobiológica chamada Interferom (antiviral produzido pelo organismo humano e que combate o vírus causador da doença) e um remédio (ribavirina).

A chef precisou realizar o tratamento, que varia de 6 meses até 1 ano, e lembra que enfrentou vários efeitos colaterais - o que é esperado em alguns casos: "Tinha calafrios, dores de cabeça, dores de estômago, dores pelo corpo, sensação de gripe o tempo todo, falta de energia, anemia, entre outras coisas".

Nessa hora, ter pessoas queridas por perto, como a família e o esposo, fez toda a diferença. A faculdade de Nutrição também contou a favor para que ela vencesse o mal estar causado pelas substâncias que precisou ingerir. Natalia também teve que redobrar o cuidado com seu corpo. "Os efeitos colaterais cuidei com alimentos, descanso, sono, repouso e fitoterápicos."

Apesar da situação, Natalia teve um posicionamento diferente. No período de tratamento, em vez de ficar abatida, a chef resolveu compartilhar sua experiência e ajudar quem passava pelo mesmo problema. Ela reuniu dicas importantes e relatos no livro "Hepatite C - Minha História de Vida" (2006, M.Books).

Depois de um ano lutando, ela enfim derrotou a doença. "A alegria da cura é indescritível. Uma sensação de vitória, missão cumprida, sucesso total. Reinício, recomeço e a busca de sonhos que ficaram guardados por um tempo. Pude estabelecer novos objetivos na minha vida profissional e familiar." Natalia também divide essa felicidade com os leitores em sua nova obra, "Hepatite C - Eu Venci! - A Alegria da Cura" (2010, M.Books).

Para a autora, hábitos saudáveis e conhecimento podem ajudar quem tem hepatite C. "Seja acompanhado por um médico capacitado e de confiança. Não beba, nem fume. Adeque os hábitos de vida e alimentação. Estude sobre a doença, converse com profissionais especializados", aconselhou.

Natalia é um exemplo de superação a ser seguido, mesmo por quem não tem nenhuma doença grave. Ela é a prova de que podemos sim ter uma postura melhor diante dos problemas, e que, dessa forma, teremos grandes chances de vencer.

Prevenção

A primeira prevenção mais importante é tomar muito cuidado na hora de realizar algum procedimento que envolva sangue, porque a hepatite C é transmitida através dele contaminado. Então, preste atenção quando for colocar um piercing ou fazer uma tatuagem. Observe se sua manicure ou barbeiro higienizam os instrumentos de trabalho como alicates de unha ou navalhas entre um cliente e outro.

Comportamentos de risco como o uso de drogas injetáveis também aumentam as chances de contaminação. O mesmo vale para quem tem vários parceiros sexuais ou outras doenças sexualmente transmissíveis (HIV, por exemplo).

Natalia Werutsky ela venceu a hepatite C

Foto: divulgação

A doença pode ser transmitida por meio de procedimentos como a hemodiálise e transplante de órgãos e tecidos. Por isso, aqui no Brasil, o Ministério da Saúde toma algumas precauções, chamadas de medidas primárias e secundárias:

Primárias

• triagem em bancos de sangue e centrais de doação de sêmen para garantir a distribuição de material biológico não infectado;

• triagem de doadores de órgãos sólidos como coração, fígado, pulmão e rim;

• triagem de doadores de córnea ou pele;

• cumprimento das práticas de controle de infecção em hospitais, laboratórios, consultórios dentários, serviços de hemodiálise.

Secundárias

• tratamento dos indivíduos infectados, quando indicado;

• abstinência ou diminuição do uso de álcool, não exposição a outras substâncias hepatotóxicas.


Lembrando que, ainda de acordo com o Ministério, "controle do peso, do colesterol e da glicemia são medidas que visam reduzir a probabilidade de progressão da doença, já que estes fatores, quando presentes, podem ajudar a acelerar o desenvolvimento de formas graves de doença hepática".

Por Priscilla Nery (MBPress)

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