Mulheres estão bebendo cada vez mais

Mulheres estão bebendo cada vez mais

Foto: Luigi Diamanti http://bit.ly/IeF7v4

Nunca a mulher bebeu tanto. Há 20 anos a proporção de mulheres que bebiam era de uma para cada sete homens. Mas no ano passado, um estudo realizado pelo Cisa - Centro de Informações sobre Saúde e Álcool constatou que este índice se igualou: 1 para 1.

Marta Jezierski, diretora do Cratod - Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, acredita que homens e mulheres bebem por motivos diferentes. O homem associa bebida à festa, à alegria de viver. Já a mulher relaciona o álcool a alguma tragédia. "Ela bebe por conta da perda do marido ou da morte de um ente querido".

Já Camila Magalhães Silveira, psiquiatra e coordenadora do Cisa, acha que os conceitos não são tão díspares assim. "O homem realmente bebe com os amigos por farra. Mas o público feminino tem bebido tanto para conseguir enfrentar problemas como por pura farra também". Independente do motivo que leva as mulheres a se sentirem mais atraídas pela bebida, o fato é que elas sofrem muito mais com as ações dessa substância do que os homens.

Marta explica que há diferença entre o organismo feminino e o masculino. As mulheres são mais sensíveis e ficam alcoolizadas mais rapidamente. "Se os dois beberem uma cerveja, a mulher ficará bêbada primeiro, porque possui menos quantidade de aldeído desidrogenase do que o homem, enzima localizada no fígado que metaboliza o álcool no organismo", alerta. Camila completa: "A mulher também tem mais gordura e menos líquido no corpo, o que faz com que o álcool fique mais tempo em sua forma pura."

A diretora do Cratod lembra ainda que a bebida torna a mulher mais suscetível a doenças inflamatórias e abrevia o surgimento de doenças, como problemas na tireóide e câncer de mama. "Se ela ia ter essas doenças aos 50 anos, terá com 30". Dra. Camila acrescenta afirmando que o álcool causa prejuízos em vários órgãos, como coração, estômago, sistema digestivo, urinário e também reprodutivo. "A dependência do álcool causa o envelhecimento precoce, arritmia cardíaca, depressão, doenças gástricas e do fígado."

Segundo informações fornecidas pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) existe uma associação entre o consumo de álcool e cânceres da cavidade bucal e de esôfago. Quando o a bebida é combinada com tabaco, os riscos de câncer nessas regiões e também na faringe e na laringe supraglótica (acima das cordas vocais) são potencializados. Inclusive o alcoolismo está relacionado a pelo menos 4% das mortes por câncer.

O oncologista Ricardo Caponero, médico do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o álcool potencializa os fatores de risco de câncer de mama. "Não existem ainda estudos que comprovem a relação entre o álcool e o câncer de mama, mas sabe-se que a substância aumenta de 1,5 a duas vezes as probabilidades da doença", diz. "Se um parente de primeiro grau já teve este tipo de câncer, as chances da mulher receber um diagnóstico positivo aumentam quatro vezes. E se ela for usuária de álcool essas chances aumentam ainda mais."

O álcool também está relacionado à gravidez precoce e à maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis. A psiquiatra Camila Magalhães explica que quando a mulher atinge o que chamamos de "beber pesado episódico" (HED - sigla em inglês), ou seja, ingere quatro ou mais doses de bebida numa única ocasião, ela fica mais vulnerável e suscetível a violência sexual, a DSTs.

Aqui é importante lembrar que, segundo o estudo do Ministério da Saúde, publicado ano passado, de 2006 para cá o número de mulheres que tomam mais do que quatro doses no mesmo dia cresceu 2,4%. Uma dose equivale a 285 mililitros de cerveja, 120 mililitros de vinho ou 36 mililitros de destilado, como uísque e cachaça.


E quando a mulher bebe durante a gravidez pode gerar filhos com Síndrome Alcoólica Fetal. "O álcool tem ação direta no cérebro do feto, causando prejuízos no sistema nervoso central, como um retardamento neurológico e oscilações de humor. Fisicamente, ela poderá ter o lábio mais afilado, um maior distanciamento entre os olhos e apagamento do filtro nasal.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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