Mieloma: tipo de câncer já tem tratamento

Mieloma tipo de câncer já tem tratamento

Foto: Dreamstime

O mieloma múltiplo é a segunda doença onco-hematológica mais prevalente no mundo e, segundo a Fundação Internacional do Mieloma, existem mais de 700 mil novos casos por ano. No Brasil não existem ainda dados estatísticos, mas a Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia estima 12 mil casos anuais.

Este câncer de sangue raro deixou de ser um atestado de morte e se tornou tratável.

A Dra. Donna Reece, médica diretora do programa para mieloma múltiplo do Departamento de Oncologia e Hematologia do Princess Margaret Hospital/University de Toronto no Canadá, falou pela primeira vez no Brasil sobre os enormes avanços do tratamento da doença nos últimos 10 anos. Até bem pouco tempo receber o diagnóstico de mieloma múltiplo, tipo de câncer no sangue, significava pouco mais de 30 meses de sobrevida ao doente.

Porém, do ano 2000 para cá, o cenário vem mudando muito. As novas drogas aliadas ao transplante autólogo de medula, em que o doador é o próprio paciente, mais do que triplicou a expectativa de vida. Ela destaca que já é possível transformar o mieloma, uma doença incurável em uma doença crônica, ou seja, passível de tratamento por longos anos.

A médica ressalta que um dos responsáveis por esta transformação é a combinação entre duas drogas bastante conhecidas do arsenal terapêuticos dos hematologistas e hemoterapeutas: a lenalidomida e a dexametasona. Devido à sua eficácia anti-mieloma e perfil de toxicidade favorável, os dois medicamentos têm proporcionado vida prolongada e qualidade de vida aos pacientes. Outros tratamentos apresentam diversos outros efeitos colaterais.

De acordo com a especialista a lenalidomida é útil tanto para tratamentos mais agressivos como naqueles de manutenção, o que caracteriza a versatilidade da droga, empregada em diversas fases da doença, seja isoladamente ou em combinação com as demais.


O Dr. Angelo Maiolino, diretor da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), reforça a análise da médica canadense. "As combinações que envolvem, em diferentes situações, os medicamentos bortezomibe, lenalidomida, dexametasona e ciclosfamida demonstraram, em estudos recentes, resultados mais eficazes com maior taxa de respostas e impacto em termos de sobrevida e qualidade de vida para os pacientes do que a monoterapia", afirmou Maiolino.

Por Catharina Apolinário

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