Micropigmentação de aréola: vida nova depois da reconstrução nas mamas

Reconstrução das mamas

Foto: Michael Haegele/Corbis

Muitas mulheres entram em guerra com sua vaidade e seu corpo ao ter que passar pela experiência da reconstrução das mamas. Além de passar pela cirurgia, ainda batalham contra o câncer. Mesmo vencida a luta, as consequências físicas podem dificultar a recuperação dessas guerreiras. E, justamente por conta disso, já existe uma técnica capaz de fazer o desenho das aréolas em mulheres com as mamas reconstruídas.

Proprietária e cabeleireira do salão de beleza Infinity, Regiane Lapetina faz o que é conhecido por micropigmentação de aréola. O processo consiste em "pintá-la" nos seios da cliente superficialmente. Vale destacar que essa técnica não é como a tatuagem popularmente conhecida.

Ela detalha as diferenças: "O equipamento utilizado na micropigmentação é diferente das máquinas utilizadas por tatuadores, bem como os pigmentos. A micropigmentação é feita com agulhas apropriadas que depositam os pigmentos apenas na epiderme (camada mais superficial da pele), que causa uma lesão sem cicatriz. Já a tatuagem deposita os pigmentos na derme (camada mais profunda da pele), causando uma lesão mais profunda e uma consequente cicatriz".

A micropigmentação tem duração média de 12 a 18 meses, dependendo da pele e rotina da cliente. Após esse período, o desenho vai clareando gradativamente, podendo ser modificado (cor e formato) de acordo com a vontade da mulher. Isso não acontece na tatuagem, por ser depositada numa camada mais profunda da pele, ela não clareia com o tempo e só pode ser removida com laser após avaliação.

"O resultado é muito natural e pode-se camuflar até algumas cicatrizes ocorridas nas cirurgias reconstrutivas. A técnica 3D dá o efeito de textura e profundidade ao desenho", afirma Regiane. Colocando o processo na balança com a reconstrução do mamilo, Regiane opina: "A vantagem é que a micropigmentação não é um procedimento cirúrgico. É menos invasivo. Usamos anestésico tópico local e não anestesias com agulhas. O risco de infecção é muito menor também, seguindo à risca o pós-procedimento indicado pelo profissional".

Se você ainda desconfia do método, saiba que ele é recomendado até mesmo por cirurgiões. Não apenas para os casos de reconstrução em mastectomia ou correção da cicatriz periareolar (resultante da mastoplastia), mas também para o aumento de aréolas naturalmente pequenas e para intensificar a cor das naturalmente claras.

A micropigmentação está se tornando referência no Brasil, que conta com tecnologia, materiais e profissionais de ponta. "Vamos sediar em maio desse ano, na Estética In Rio 2014, o 1º Congresso Científico Internacional de Micropigmentação. É a junção da técnica, da ciência e da arte", revela a profissional, orgulhosa de seu trabalho.

A satisfação na arte é tanta, que profissionais desta área estão lutando para regulamentar a profissão, como conta Regiane: "Já existe um Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional desde 2007. É de máxima importância para o exercício da nossa profissão, pois conta com a regulamentação dos procedimentos e protocolos de higiene e biossegurança, eliminando o risco de exposição dos clientes e profissionais aos agentes infecciosos veiculados pelo sangue, tais como o HIV, o vírus da Hepatite C e B, entre outros. Estamos aguardando ansiosos!".

Amigas do Peito Infinity

Justamente pensando em expandir cada vez mais essa realização entre as mulheres, a especialista criou o projeto "Amigas do Peito Infinity". "Oferecemos a micropigmentação gratuita das aréolas para mulheres que passaram pela reconstrução dos seios. Esse trabalho é feito uma vez por mês e selecionamos de 2 a 4 mulheres carentes para efetuar o procedimento na Infinity Espaço de Beleza, em Santos, São Paulo", explica Regiane. Infelizmente, por falta de conhecimento, há meses em que sobram vagas para o procedimento.

"É preciso que as mulheres conheçam o procedimento e saibam que é acessível, praticamente indolor, além de simples e rápido. Leva em torno de 1 hora em cada seio - entre desenho, medição, anestésico, pigmentação e finalização", afirma Regiane.


Antes de efetuar o procedimento, lembre-se de procurar um profissional capacitado, ok? Como Regiane sugere, "o barato sai caro". "Pesquise o trabalho do profissional primeiro, depois valores."

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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