Má qualidade do ar piora saúde de quem vive em grandes cidades

Má qualidade do ar piora saúde de quem vive em gra

Morar numa cidade grande como São Paulo tem suas vantagens: lojas de todos os tipos, hospitais mais completos, colégios e universidades, cinema e teatro a qualquer hora. No entanto, a saúde da população em geral não é lá essas coisas, já que todos respiram um ar de qualidade comprometida.

A poluição não é novidade para nenhum morador de cidades mais urbanizadas. Desde que os carros e fábricas chegaram a alguns locais, vêm despejando no ar mais e mais substâncias que, quando inaladas, fazem mal ao organismo humano. De acordo com o site oficial da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), os poluentes mais presentes na atmosfera são o dióxido de enxofre, monóxido de carbono, ozônio, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio.

"Os principais problemas que a poluição causa à saúde são os respiratórios e os cardiovasculares", aponta Maria Alenita Oliveira, pneumologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Ela explica que sintomas como a falta de ar, tosse, queimação, irritação ocular e nasal estão relacionados a regiões com altos índices de poluição.

No geral, em metrópoles, o que mais contribui para diminuir a qualidade do ar é a alta quantidade de veículos. Eles são emissores de monóxido de carbono, que é altamente tóxico, e dióxido de enxofre que, quando inalado em quantidades razoáveis, pode causar irritação e até doenças crônicas no pulmão.

Nas estações frias, a coisa piora. Isso por causa da inversão térmica, um fenômeno no qual o solo esfria, e, por consequência, deixa a camada de ar frio sob a camada de ar quente. O ar quente funciona como uma tampa que impede os poluentes de se dispersarem. Conclusão: eles ficam acumulados na atmosfera.

Assim, com um maior nível de poluentes, as pessoas acabam inalando essas substâncias e sentindo os efeitos. Começam a tossir, espirrar, sentir irritação nos olhos, nariz, garganta, etc. Caso já tenham alguma doença respiratória, sofrem mais ainda com o frio. "É nessa época que os sintomas de males como a asma se manifestam com frequência. Até o número de internações aumenta no outono e inverno", diz Maria Alenita.

Outro tipo de paciente muito afetado pela poluição é aquele que trabalha circulando pelas ruas, como um motorista de ônibus ou um carteiro. "Por ficarem horas expostos à poluição principalmente proveniente dos veículos que trafegam nas grandes cidades, esses profissionais têm maior incidência de problemas respiratórios", afirma a pneumologista. A especialista explica que esses indivíduos também são obrigados a se expor em horários em que a qualidade do ar fica ainda mais baixa que o normal. O período crítico é em torno do meio-dia.

Para fugir de complicações na saúde, especialmente em tempos de frio, é bom tomar alguns cuidados: hidratação rigorosa do organismo, uso de soro fisiológico nos olhos e nas narinas para diminuir a irritação. Quem faz atividades físicas deve preferir o período da manhã ou final da tarde para realizá-las, para não inalar poluentes durante o período crítico.

Além disso, pessoas que sofrem de males respiratórios como bronquite, rinite alérgica ou sinusite precisam redobrar os cuidados, isto é, evitar ambientes com muito pó e ter acompanhamento médico, como ensina a Maria Alenita. "Quem tem essas doenças normalmente apresenta piora dos sintomas nas estações frias. Por isso, é importante procurar o médico assim que o paciente perceber que terá uma crise, por exemplo, para que essa crise seja controlada a tempo e ao implique em internação".


Lembrando que todos podem dar sua contribuição para inverter a situação. Usar o transporte público ou a bicicleta, em vez do carro, e não adquirir produtos com gases que prejudiquem a camada de ozônio são atitudes simples e que podem melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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