Hepatite C, uma doença silenciosa

Mal que avança sem dar sinais, a hepatite C é capaz de passar até 20 anos lesando o fígado, um dos órgãos mais importantes do organismo, sem dar sequer um sinal de sua presença. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, cerca de dois milhões de brasileiros podem estar infectados pelo vírus C. Ou seja: 1,5% da população. As estatísticas também mostram que hoje, a hepatite C infecta cinco vezes mais brasileiros que a Aids.

Uso de drogas com agulhas e seringas compartilhadas, além de acidentes com material contaminado, que corte ou fure a pele, estão entre as formais mais comuns de transmissão. “Pessoas que receberam algum tipo de transfusão de sangue ou derivados antes de 1992 podem ter adquirido a hepatite C, pois não tínhamos tecnologia adequada para identificar o vírus da doença no sangue do doador infectado. Porém, hoje, a possibilidade disso acontecer é mínima”, esclarece Rafael Sani Simões, especialista na área de doenças infecciosas e parasitárias.

A vendedora Carolina Aparecida da Costa, 39 anos foi contaminada por meio de uma transfusão. “Em julho do ano passado, eu comecei a sentir muito cansaço. Achava que era estresse, consultei um médico e fiz vários exames. Descobri que eu estava com hepatite C. A doença já estava em estágio avançado e havia progredido para uma cirrose hepática”, conta.

Na época, Carolina sofreu muito com o preconceito e a falta de informação das pessoas. “As minhas amigas se afastaram e algumas espalharam a notícia de que eu estava com uma doença contagiosa que poderia ser transmitida facilmente. Não desejo para ninguém tudo o que eu passei”, afirma a vendedora.

Viver no mesmo domicílio, almoçar na mesma mesa, apertar a mão, abraçar ou beijar uma pessoa com hepatite C não apresentam nenhum risco de transmissão. “As pessoas devem apenas tomar um cuidado especial com objetos de uso íntimo como escova de dente e lâminas de barbear, que não devem ser compartilhados”, indica Simões.

Segundo o médico, o risco da contaminação por relação sexual é muito baixo. No entanto, o uso de camisinha é fundamental para prevenir a aquisição de outras doenças transmitidas por via sexual.

“O diagnóstico da pessoa contaminada é feito por meio de um exame de sangue chamado de sorologia anti-HCV, que identifica as pessoas que tiveram contato com o vírus C. Posteriormente, outros exames devem ser solicitados para confirmar se a doença está em atividade no organismo”, explica o médico.

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Tratamento

A hepatite C tem grande chance de cura. Cerca de 20% dos infectados eliminam o vírus espontaneamente. “Dos outros 80%, cerca de metade dos pacientes poderão desenvolver uma forma de doença mais agressiva e deverão ser tratados”. Simões revela que aproximadamente 65% dos pacientes têm a doença controlada quando tratados corretamente.

O tratamento mais avançado, já disponível na rede pública, é com o medicamento chamado interferon pegilado, uma molécula de última geração, o que aumenta as chances de cura entre 25% a 30% em relação aos tratamentos convencionais. No caso dos pacientes com subtipo viral 1, o mais comum no Brasil, a chance é cerca de 50%, e nos portadores dos subtipos 2 e 3, a sobe para 80% dos casos.

“Atualmente eu sigo um tratamento rigoroso. Tenho que tomar vários medicamentos todos os dias. Também faço terapia com psicólogo. É horrível, mas não posso desanimar. Estou na fila para conseguir um transplante e espero em breve conseguir”, torce Carolina.

Fonte: MB Press

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