Geração dos antidepressivos?

Geração dos antidepressivos

Foto: Wavebreak Media Ltd /Corbis

Nos últimos anos, o consumo de antidepressivos tem aumentado de forma significativa. As mulheres, especificamente, fazem uso para o tratamento de depressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático, obsessão-compulsiva e mudanças de humor nos períodos pré-menstruais.

Os antidepressivos são medicamentos psicotrópicos com efeito no sistema nervoso central. Então, é preciso tomá-los com muito cuidado, pois em alguns casos podem se tornar uma droga, levando ao vício. Além disso é fundamental tomá-los com acompanhamento especializado.

"Cabe ao médico fazer a avaliação adequada para chegar ao diagnóstico correto", explica o Dr. Renato Mancini, psiquiatra do Hospital e Maternidade São Luiz, ressaltando que a duração do tratamento deve ser rigorosamente obedecida para evitar recaídas.

Segundo ele, a possibilidade de vício é muito baixa. "Os antidepressivos são muito seguros. As pessoas geralmente costumam confundir dependência com necessidade de uso. Outras classes de medicamentos podem levar à necessidade de aumento progressivo da dose, caso sejam usados a longo prazo, assim como causar sintomas de abstinência. Mas, os antidepressivos não fazem isso."

No entanto, há casos em que seu uso deve ser contínuo. "Eles são menos frequentes, mas existem mulheres que têm algum transtorno crônico ou recorrente. Com isso, o uso da medicação se assemelha ao tratamento de outras doenças crônicas, como hipertensão ou diabetes melitus. Toda vez que a paciente parar de usá-la os sintomas voltarão, portanto, o tratamento nunca deve ser interrompido."

Em situações mais comuns, as mulheres que tomam antidepressivos não precisam ir constantemente a uma consulta médica. Segundo o Dr. Mancini, isso vai depender da fase do tratamento e da gravidade do diagnóstico. De forma geral, no início, as consultas são mais frequentes porque a medicação tem que ser ajustada. Contudo, no caso de depressões graves, são necessárias avaliações mais frequentes.

"É importante respeitar o tempo de efeito desses medicamentos. Em média, a melhora só começa a ser percebida entre o fim da primeira semana ou da segunda semana. O resultado de uma determinada dosagem da medicação só vai ser observado depois de quatro a semanas", detalha o psiquiatra.


Como todo remédio, os antidepressivos podem causar efeitos colaterais. Dr. Mancini diz que é essencial que paciente e médico falem sobre isso antes do início do tratamento. "Afinal, esses efeitos podem ser usados a favor. Por exemplo, receitar uma medicação que causa sonolência para alguém que está com insônia. No entanto, a maioria dos antidepressivos usados atualmente tem efeitos colaterais bastante brandos."

Mas, afinal, as mulheres realmente usam mais antidepressivos do que os homens? Segundo o psiquiatra, em geral, a resposta é sim, porque a ocorrência de depressão e da maior parte dos transtornos de ansiedade é mais comum no sexo feminino. "Além disso, podem ser usados no tratamento de situações exclusivas das mulheres, como a disforia perimenstrual e a tensão pré-menstrual", finaliza.

Por Marisa Walsick (MBPress)

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