Fundação cria banco de perucas para mulheres com câncer

banco de perucas

As irmãs Andrea Ferreira e Marcelle Medeiros, fundadoras da Fundação Laço Rosa

Depois do susto de receber o diagnóstico de câncer de mama e fazer inúmeras sessões de quimioterapia, a mulher ainda precisa lidar com a triste queda dos cabelos. Essas agressões à vaidade feminina decorrentes da doença deixam a paciente cada vez mais fragilizada. Para tentar amenizar um pouco essa fase difícil, a Fundação Laço Rosa, fundada em 2010, criou o primeiro Banco de Perucas do Brasil.

A ideia de criar a ONG foi das irmãs Aline, Marcelle e Andrea. Aline foi diagnosticada com câncer quando estava grávida, em 2007. Fez a quimioterapia e decidiu assumir a careca, apesar de ter ficado depressiva ao se ver sem cabelo. Um mês depois da inauguração da Fundação Laço Rosa, Aline faleceu.

"Desde quando decidimos criar a Fundação Laço Rosa sabíamos que havia uma necessidade de ser diferente e enxergamos no problema de queda de cabelo uma forma de nos comunicarmos. Surgiu a ideia do primeiro Banco de Perucas online, que é pioneiro no Brasil", conta Marcelle Medeiros, presidente da Fundação Laço Rosa.

O estoque é mantido por meio de doações de todos os cantos do país e de compras feitas pela fundação para preencher a necessidade. As mulheres também podem ajudar doando seus cabelos. Para isso, devem enviar, no mínimo, 20 centímetros de fios para a ONG, separando a ponta da raiz com um elástico. Essas doações de cabelos são entregues ao Studio Jackbell, parceiro que produz as perucas e higieniza gratuitamente para a fundação.

Tudo é feito online. Para receber uma peruca a mulher deve preencher um cadastro no site e enviar o laudo médico e duas fotos (uma com cabelo e outra sem). "Uma equipe de voluntários e visagistas se encarrega de fazer a escolha da peruca, tentando se aproximar o máximo possível do perfil da paciente antes da queda do cabelo", explica Marcelle.

A peruca é enviada gratuitamente. Em dois anos mais de 300 mulheres de todo o país, com idades entre 17 e 68 anos, foram atendidas pelo Banco de Perucas. A meta é beneficiar mil pacientes até o fim de 2014.


Feito o pedido, a fundação procura atender à solicitação em até 30 dias. Mas esse prazo depende muito do tipo e cabelo escolhido e do estoque no banco de perucas. Marcelle afirma que as solicitantes são mantidas em sigilo, por conta da fragilidade que as levaram a procurar a fundação. "A confidencialidade do projeto é um dos fatores de sucesso."

O Banco de Perucas atende pacientes de qualquer tipo de câncer. "Através dele, nós divulgamos a causa do câncer de mama e a única contrapartida é que a paciente divulgue a causa e o portal. Todo processo é feito pela internet e hoje o banco trabalha para ter um patrocínio fixo de uma empresa privada e poder triplicar o número de atendimentos", diz a presidente da Fundação Laço Rosa.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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