Família é essencial no tratamento do câncer

Família é essencial no tratamento do câncer

O câncer é uma doença ainda estigmatizada que normalmente traz um aspecto de dor e sofrimento ao paciente e toda a família. Mas a doença hoje pode ter tratamento e o paciente voltar a ter uma vida normal. Porém, a família é fundamental na otimização dos tratamentos contra o câncer.

A psico-oncologista Vera Anita Bifulco, coordenadora do Serviço de Psiconcologia do Instituto Paulista de Cancerologia, explica um pouco sobre a relação entre o paciente de câncer e a família. A superação e enfrentamento da doença, obstáculos a serem vencidos, importância do apoio da família e amigos são fundamentais.

Vera explica que antes da primeira consulta do diagnóstico a família do paciente passa por uma consulta psicológica. "A família precisa trabalhar o que significa esse câncer. Hoje o câncer é uma doença tratável, mas foi estigmatizado pela sociedade. Orientar, informar e desmistificar a doença é importante", afirmou.

A especialista explica que a família e amigos tem papel importante na recuperação do paciente. " A família estando orientada faz com que o paciente responda melhor ao tratamento, pois em casa ele terá um espaço acolhedor. Respeitar o tempo do seu familiar e ter uma atitude coerente e otimista otimiza a resposta ao tratamento", lembrou.

A psicóloga trabalha os medos dos familiares. O tratamento oncológico é longo e se a família não entender isso pode demorar mais tempo para curar, não é como uma gripe, por exemplo. " A família precisa lembrar que as oscilações de humor, falta de apetite e de sono não são pessoais, mas conseqüência de um estado que o paciente está vivendo. Ninguém perguntou a ele se queria ter um câncer", comentou a especialista.

De acordo com Vera o câncer é a única doença que não é só o paciente que recebe o diagnóstico por sua conotação ruim na sociedade, que não é educada para envelhecer e adoecer. "A sociedade não educa ninguém para envelhecimento e doença. E o câncer é uma doença que até pouco tempo estava escondida, estigmatizada, nem se falava o nome dela nas casas. Por isso a orientação é fundamental aos familiares e a comunicação entre paciente e familiares, sincera e aberta, é fundamental para colaborar nos resultados positivos dos tratamentos. Se eu quero que meu paciente esteja bem, quero que a família dele esteja melhor ainda", ressaltou Vera.


Quando o paciente termina o tratamento médico, a casa dele é onde ele dará continuação a sua recuperação. "Quando o paciente sai do tratamento o cuidado da família é imprescindível. A expectativa do familiar tem que acompanhar a do paciente. É preciso entender as oscilações de humor e cansaço que podem surgir com o tratamento do câncer. São coisas esperadas mas que vão passar. A família tem que dar o apoio que o paciente precisa, estar orientada e informada", finalizou.

Por Catharina Apolinário

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