Especialistas dizem que a gonorreia pode, em breve, ser intratável

Alguns médicos têm prescrito um antibiótico obsoleto que foi provado ser ineficaz para matar a bactéria que causa a gonorreia

Foto - Divulgação

A gonorreia, uma doença sexualmente transmissível, pode em breve ser intratável, de acordo com equipe médica da Inglaterra. Dame Sally Davies, médico infectologista da equipe, enviou um aviso a todas as farmácias e aos médicos no Reino Unido para garantir que eles estão prescrevendo a medicação correta para tratar a gonorreia. Se o medicamento certo não for prescrito, Davies teme que a gonorreia irá evoluir ao ponto de já não ser mais tratável. O aviso ocorreu em meio a um surto de uma cepa altamente resistente da gonorreia em setembro de 2015.


"A gonorreia adquiriu rapidamente resistência a novos antibióticos, deixando poucas alternativas para as atuais recomendações. Portanto, é extremamente importante que o tratamento abaixo do ideal não ocorre", escreveu Davies em sua carta.

Alguns médicos têm prescrito um antibiótico obsoleto que foi provado ser ineficaz para matar a bactéria que causa a gonorreia. Em 2011, um em cada cinco casos de gonorreia foram tratados com este antibiótico particular. Davies recomenda tratamento da gonorreia com uma combinação de uma injeção e de uma dose oral de azitromicina ou a doxiciclina.

Nos Estados Unidos, cerca de 820.000 pessoas tenham apresentado gonorreia no ano de 2015, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças. Os números continuam a aumentar à medida que os medicamentos disponíveis para tratar doenças incuráveis se tornam melhores, como no caso do HIV

Nos Brasil, estima-se que 1,5 milhões pessoas tiveram gonorreia em 2015, mas esses números não são confirmados pela inexistência de um mapa de distribuição das doenças sexualmente transmissíveis no país. A explicação para o aumento de casos desse tipo de DST é que as pessoas acreditam que há remédios para tratar com eficácia, e por isso não precisam se precaver. E vale lembrar que ter relações sexuais protegidas também é vital para prevenir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

Em um relatório divulgado em novembro de 2015, o CDC disse que ter uma comunicação aberta sobre sexo irá diminuir a porcentagem de americanos que contraem as doenças sexualmente transmissíveis. "O primeiro obstáculo será enfrentar a relutância da sociedade americana para confrontar abertamente questões que envolvem a sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis", afirmou o relatório.

Por Renata Branco

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