Entenda os efeitos da radiação

entenda os efeitos da radiação

O risco da radiação no Japão é algo que está preocupando todo o mundo, por isso é bom entender o que realmente a radioatividade oferece em termos de perigo à população em geral.

Segundo a pesquisadora científica Sandra Bellintani, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), a radiação é um processo pelo qual um núcleo instável emite partículas ou radiações eletromagnéticas até atingir um estado estável. As emissões desses núcleos são chamadas de radiações ionizantes, pois ionizam o meio por onde passam.

As principais emissões radioativas são as partículas alfa, beta e as radiações eletromagnéticas raio gama e raio-X. Essas radiações ionizantes podem ser danosas ao organismo humano, mas tudo depende da quantidade de radiação recebida. O ser humano está constantemente exposto a essas radiações, muitas naturais presentes na radiação cósmica e na crosta terrestre. E alguns átomos radioativos são encontrados no corpo humano. No Brasil temos algumas regiões de alta radioatividade natural, como Guarapari, no Espírito Santo.

Já no Japão, a principal preocupação gira em torno de uma possível incorporação dos elementos radioativos liberados no meio ambiente. Até o momento, a população que habita nos arredores da usina é a que poderia ser atingida por quantidades maiores de material radioativo. Por isso foi estabelecida uma área de 20 km (área de exclusão), limite para que as pessoas sejam evacuadas, e uma área até 30 km onde é solicitado que a população saia o menos possível. Se houver necessidade de ir à rua, que seja com uma toalha molhada cobrindo o nariz e a boca. Também foi solicitado à população que não consuma produtos agrícolas cultivados nesta área, pois podem estar contaminados. "Para outros locais não há risco até a presente data", afirma Sandra.

Segundo ela também não há risco para outros países, pois o material radioativo liberado na usina nuclear atingiu principalmente as áreas próximas ao reator. Para que essa nuvem radioativa atingisse outros países haveria necessidade da liberação de grandes quantidades desses elementos radioativos, o que até o momento não aconteceu .

No caso das chamadas "pílulas anti-radiação", que tiveram um aumento nas vendas nos EUA, Sandra diz que elas na verdade são pílulas feitas de iodeto de potássio. "Este é um tratamento preventivo. O objetivo deste procedimento é impedir que o iodo radioativo que penetrou no corpo vá se depositar na tireóide", explica a especialista.

A administração de iodo estável é uma medida profilática, seu objetivo é que todo este iodo não-radioativo (da pílula) seja absorvido pela tireóide a qual ficará bloqueada e impedirá a absorção de iodo radioativo. Isso impede que o iodo radioativo entre na tireóide, ele será então excretado e não produzirá danos à saúde.

"Esta medida só é utilizada nas áreas onde há risco de incorporação de iodo radioativo. É totalmente contra-indicado o seu uso em locais onde não há contaminação, como no caso dos EUA, pois o iodo estável em grandes quantidades também pode trazer danos a tireóide", conclui.

Por Jessica Moraes

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