Endometriose - a doença da mulher moderna

Endometriose  a doença da mulher moderna

Cerca de 6 milhões de mulheres brasileiras sofrem com a endometriose e muitas nem sabem que são portadoras do problema. O grande desafio inicial é reconhecer a doença : há geralmente um intervalo de 7 a 12 anos entre o surgimento dos primeiros sintomas dolorosos e o diagnóstico, na maioria das vezes, já em estado avançado e com a fertilidade comprometida.

A endometriose, nada mais é que a presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina (que é o seu local normal de implantação) e, na imensa maioria das vezes, afeta mulheres em idade reprodutiva. Embora a doença acometa tantas mulheres, seus fatores causadores ainda não são completamente certos.

Entre as teorias mais populares estão:

Menstruação retrógrada: parte do sangue menstrual volta pelas trompas e cai dentro do abdôme; as células descamadas do endométrio - camada que reveste a cavidade do útero e que normalmente é eliminada por via vaginal durante a menstruação - se implantam em tecidos e órgãos intra abdominais e ali iniciam seu desenvolvimento.

Uma vez fixados, se comportam de forma similar ao tecido intrauterino durante a menstruação, ou seja, necrosam, descamam e os vasos que ali se encontram sangram e surgem lesões que causam dores, alterações locais como se fossem "feridas" que se acoplam umas as outras, predispondo a criação de aderências dentro da pelve e comprometendo a fertilidade.

Metaplasia: tecido normal (peritôneo) que reveste internamente o abdome e que se transformaria em tecido tipo endometrial, em local totalmente inadequado, configurando a endometriose.

Implante de células endometriais disseminadas por manipulação durante cirurgias uterinas (miomas, cesarianas).

Disseminação de células endometriais que migrariam através de vasos sanguíneos ou vasos linfáticos e que explicaria raros casos de focos descritos de endometriose à distância.

"Todas estas teorias são possíveis, porém, a implantação e o desenvolvimento das células endometriais fora de lugar só são possíveis - é o que se acredita até o presente momento - se existir uma alteração na capacidade de defesa (imunidade local) - do tecido exposto aquelas células", alerta o ginecologista e obstetra Claudio Basbaum.

Os sintomas da doença vão de dor pélvica acíclica e crônica ou intensas cólicas menstruais, que atingem 80% das mulheres com endometriose, queixas urinarias e intestinais cíclicas e ainda aparecimento de cistos ovarianos chamados de endometriomas, bem característicos ao ultrassom além de dores nos mais variados graus durante a relação sexual.

A endometriose é encontrada em cerca de 40% das mulheres com infertilidade. Recentemente foi descoberto um novo tratamento para a doença. A novidade terapêutica, lançada recentemente no mercado brasileiro pode ser tomada por via oral na dose de apenas um comprimido diário.

O medicamento, pertencente à família dos progestagênios - hormônios sintéticos que agem de forma parecida ao hormônio natural produzido pelos ovários, chamado de progesterona. Contém exclusivamente o princípio ativo dienogest, lançado e direcionado no mercado especificamente contra a doença.


O novo medicamento é o primeiro tratamento que pode ser administrado a longo prazo e lançado para o tratamento exclusivo da endometriose e promete interromper a progressão da doença e combater as dores e incômodos que afetam tantas mulheres em todo o mundo sem apresentar efeitos colaterais significativos indesejáveis.

Por Jessica Moraes

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