Efeitos colaterais dos antidepressivos

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Ao contrário de antigamente, os efeitos colaterais dos medicamentos atuais são mais leves e suportáveis, mas continuam existindo.

A medicina existe para nos ajudar a ter uma longa vida saudável e com qualidade. Porém, você sabia que medicamentos como os antidepressivos podem trazer efeitos colaterais indesejados, acarretando efeitos colaterais tão ou mais graves que a própria doença inicial?

Ao contrário de antigamente, os efeitos dos medicamentos atuais são mais leves e suportáveis, mas continuam existindo.

Um dos componentes dos antidepressivos, como a fluoxetina, causa retardo da ejaculação masculina, dificuldade feminina em atingir o orgasmo, além de poder provocar diarreias, ganho de peso e sonolência.

Mas, para termos ideia de como hoje em dia essa medicação já está mais "light", pacientes com hipertensão, problemas cardíacos, quadros respiratórios graves, demências, câncer e infecções crônicas, como HIV, tuberculose, hepatites, etc, recebem a prescrição de antidepressivos chamados de "inibidores de recaptura de serotonina", por terem efeitos mais restritos.

A Dra. Julieta Guevara, psiquiatra e diretora da Neurohealthno Rio de Janeiro, explica: "Os antidepressivos, como todos os medicamentos, só são prescritos para resolver um problema médico. Quando o profissional seleciona um remédio desses, tem indícios de que será suficiente para eliminar o problema principal e, com os efeitos colaterais, também sanar algumas queixas conjuntas".

Uma dica de medicamento menos agressivo são os derivados de moléculas já existentes no nosso corpo, como a agomelatina.

"Os inibidores duplos como venlafaxina, desvenlafaxina e duloxetina trouxeram tolerância para os efeitos descritos. As moléculas criadas a partir dos efeitos indesejados de antidepressivos eficientes como citalopram, por exemplo, trouxeram um perfil de segurança e tolerabilidade sem reduzir seu beneficio", indica a psiquiatra.

E a dependência?

O fato é: remédios de tarja vermelha, azul e amarela - regulamentados e que necessitam de receitas controladas pelos órgãos legais para serem distribuídos -, têm potencial viciante e devem ser prescritos apenas por profissionais capacitados e competentes.

Por outro lado, a psiquiatra vê a questão da dependência por uma ótica inusitada: "O preconceito faz com que a depressão não tenha o mesmo tratamento de uma doença crônica como hipertensão, diabetes ou epilepsia. Ninguém cogitaria dizer a um hipertenso ou epilético que parasse sua medicação por estar ‘viciado’".

Outra opção além dos remédios é complementar o tratamento contra a depressão com terapias ou processos de psicoeducação que possam criar rotinas de saúde para reinserção social e profissional. "Métodos biológicos que permitem a redução dos medicamentos em uso, como a estimulação magnética transcraniana (EMT), também são alternativas que vêm dando resultado positivo", afirma a profissional.


Por Juliany Bernardo (MBPress)

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