Efeito do álcool e das drogas é maior nas mulheres

Efeito do álcool é maior entre a mulher

Em meados de julho, o programa "Mais Você" fez uma matéria especial sobre o alcoolismo entre as mulheres. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a bebida mata mais do que a tuberculose e a Aids no mundo. Desde a década de 70, o consumo de álcool pelo público feminino aumentou 80%.

O organismo de homens e mulheres reage de maneira diferente à bebida. E quem sofre seus efeitos de forma mais veemente é o público feminino. Segundo Dra. Cláudia de Oliveira Soares, Diretora Terapêutica da Clínica Viva, a substância tende a se concentrar no sangue da mulher de uma forma mais intensa do que no homem, ainda que os dois consumam o mesmo volume da mesma bebida.

"Isto acontece basicamente porque a mulher possui maior proporção concentração de gordura e menor proporção de água em seu corpo em relação ao do homem: com isso, o álcool demora mais para metabolizar, elevando a concentração de álcool no sangue", explica. "De certa forma, isto também nos dá pistas dos motivos pelos quais a dependência de álcool progride mais rápido em mulheres".

Quando o consumo se dá durante a gestação, os riscos de comprometimento da saúde da mãe e do bebê são muito grandes. "Para se ter uma ideia, o abuso de bebidas na gestação pode levar a síndrome fetal pelo álcool, que é caracterizada pelo retardo mental grave e outros problemas, incluindo retardo de crescimento, anomalias faciais e cardíacas", alerta Dra. Carla.

Em relação ao funcionamento fisiológico da mulher, a especialista ressalta que o consumo abusivo de álcool está associado a diversos problemas de saúde, como interrupção das menstruações, tensão pré-menstrual, problemas de fertilidade e menopausa precoce.

As diferentes reações entre homens e mulheres são se limitam ao álcool. Em 2008, estudos realizados pelo Centro de Estudos Psiquiátricos da Universidade de Melbourne e publicados pela revista "Neuroscience and Biobehavioural Reviews" revelou que os efeitos do ecstasy são mais intensos nas mulheres. Não foi detectado um motivo aparente, mas uma das teorias tem como base o estrogênio, que é capaz de aumentar a sensibilidade da mulher aos efeitos de substâncias.

Dra. Cláudia concorda: "Há evidências de que drogas como cocaína, maconha, tranquilizantes e estimulantes tenham efeitos mais prejudiciais em mulheres". Para ela, mesmo com a revolução feminina, ainda perduram resquícios do sexo frágil, sensível, o que ainda contribui para a vulnerabilidade da mulher em relação às drogas. "Assim, esta pressão de ser ao mesmo tempo mãe, esposa, profissional e muitas vezes chefe de família acaba acarretando em consequências psíquicas que favorecem o uso e abuso de drogas, o que gera a dependência química", avalia.

Os transtornos relacionados ao uso de drogas podem ser tão perigosos quanto a dependência em si. "A incidência de transtornos psiquiátricos em mulheres com dependência química exige uma avaliação ainda mais apurada, pois é comum que elas apresentem transtorno de alimentação e de humor", comenta a Diretora Terapêutica da Clínica Viva. "Tentativas de suicídio são especialmente comuns entre mulheres dependentes químicas, o que requer atenção especial a este aspecto", completa.

A Clínica Viva atende homens e mulheres em unidades diferentes, porém, a duração do tratamento é o mesmo. A principal diferença está na abordagem. "Além das psicoterapias, o tratamento das nossas pacientes contempla cuidados especiais, como foco maior em arte terapia, cuidado fisiológico especial, condicionamento físico adaptado, entre outras ferramentas", explica Dra. Cláudia.

Assim como a vulnerabilidade das mulheres em relação às drogas é maior, a vontade de se reeguer segue o mesmo caminho. "Quando elas absorvem o tratamento emocionalmente, o comprometimento se torna muito grande e percebemos uma força de vontade incrível de que se obtenha êxito", afirma a diretora.


Dra. Cláudia finaliza com um alerta: "O tratamento da dependência química deve ser realizado por uma equipe profissional da área da saúde, especializada no assunto. Há muitos grupos de ajuda, comunidades, casas de apoio, grupos religiosos, sem profissionais atuando. Acreditamos na boa fé dessas pessoas, mas apenas boa vontade não basta para tratar uma doença tão grave".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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