Dúvidas sobre a vacina contra a gripe H1N1

Dúvidas sobre a vacina contra a gripe H1N1

A vacinação contra a gripe suína começou e muito vem sendo falado, especialmente na internet, sobre os possíveis efeitos colaterais. Mas será que é tudo verdade? O Vila Equilíbrio conversou com o especialista em clínica médica da Paraná Clínicas, Dr. Carlos Sperandio que contou que quase tudo o que se fala sobre o assunto é boato.

"Os efeitos colaterais quase não estão sendo notificados. Existem números dos EUA, que já está aplicando a vacina desde o ano passado, que mostram que a notificação de efeito colateral é equivalente a encontrada na vacina de gripe normal, que lá é distribuída para toda a população e não somente para os idosos como acontece aqui no Brasil."

Ainda de acordo com o médico, a vacina possui o vírus na forma inativa, por isso é impossível desenvolver uma virose a partir da aplicação da vacina. "Se a pessoa apresenta sintomas de virose como dor no corpo, febre e mal estar logo após a vacina é porque o vírus já estava incubado antes da vacinação." As mudanças bruscas de temperatura, muito comuns especialmente no Sul e no Sudeste do País, causam problemas como rinite que podem ser confundidas com as gripes.

De acordo com Sperandio, o efeito colateral que é relatado em 10% das pessoas que receberam a dose é vermelhidão e dor no local da aplicação. "Raramente alguns pacientes apresentaram dor no corpo e desconforto. Alguns e-mails também circularam pela internet falando sobre a possibilidade do desenvolvimento Síndrome de Guillain-Barré, que pode levar a morte, a partir da vacina, mas isso, de acordo com estudos, é muito raro mesmo. A chance de desenvolver a síndrome é a mesma com a aplicação dessa vacina ou de qualquer outra, raríssima."

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, não há números para serem divulgados dos efeitos colaterais registrados, mas afirma que o número de pessoas que apresentaram qualquer tipo de reação é mínimo.

Outro boato que teve destaque sobre o assunto é sobre a quantidade de mercúrio na vacina. "A quantidade não é maior do que o indicado.", explica Sperandio.

O médico afirma que é muito importante que a população tome a vacina. Ele que mora e trabalha e Curitiba, umas das cidades com o maior número de casos da doença, lembra bem o pavor coletivo que a doença causou na população. "A vacina vai servir para que a população se sinta protegida. Além disso, se as pessoas das faixas etárias forem vacinadas, vai acontecer o efeito rebanho. Ou seja, as pessoas que normalmente passariam o vírus já que é a faixa etária de trabalhadores, crianças que estão em creches não terão a doença o que diminuirá muito a transmissão."

Etapas

De acordo com o Ministério da Saúde, a terceira etapa de vacinação começa na próxima segunda-feira (dia 05/04) e vai até o dia 23. Desta vez serão vacinados adultos de 20 a 29 anos. Os idosos, incluindo os que têm doenças crônicas deverão receber as doses de 24 de abril a 7 de maio. Já a época para os adultos de 30 a 39 anos será entre 10 e 21 de maio.

A primeira etapa de ocorreu entre 8 e 19 de março e foi para indígenas que vivem em aldeias e trabalhadores de serviços de saúde. E a segunda, que segue até a próxima sexta-feira, tem como público-alvo gestantes, crianças de seis meses a dois anos e doentes crônicos (exceto idosos).


Em cada uma das etapas, os postos de vacinação serão definidos pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. As vacinas serão distribuídas pelo Ministério da Saúde ao longo do período de vacinação, de acordo com cada etapa. Por isso, é importante que a população compareça aos postos de vacinação na data estabelecida para o grupo ao qual pertence. Ao todo, o Ministério da Saúde adquiriu 113 milhões de doses para vacinar 91 milhões de pessoas contra gripe pandêmica. A meta é imunizar pelo menos 80% desse público-alvo.

Por Larissa Alvarez

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