Doença Falciforme é problema de saúde pública no Brasil

Doença Falciforme é problema de saúde pública no B

Dados divulgados pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal do Ministério da Saúde apontam que no Brasil nascem por ano aproximadamente 3.500 crianças com a doença falciforme. A doença é hereditária, mais comum em afro-descendentes. Mas você sabe o que é doença falciforme?

A hematologista da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), Clarisse Lobo afirma que por ser um país miscigenado, no Brasil a doença pode ocorrer em qualquer individuo que tenha descendência africana, tornando-se um caso de saúde pública. Segundo ela, a doença falciforme se manifesta na maioria das vezes após os seis meses de vida do bebê sendo o "Teste do Pezinho" a melhor forma de identificá-la. Mas atualmente, dos 27 Estados brasileiros, apenas 17 realizam este tipo de exame.

A médica lembrou que garantir a qualidade de vida é fundamental, pois os pacientes com doença falciforme apresentam sintomas por toda a vida. "Desde a primeira infância ocorrem anemia e icterícia. As dores ósseas são a maior causa de ida ao hospital, entretanto, é a propensão às infecções que pode colocar em risco o indivíduo ainda não diagnosticado", relatou.

Hoje, a terapia tradicional da doença consiste no uso de antibióticos na 1ª infância, acido fólico, medicamentos para a dor e em 30% dos pacientes no uso de um medicamento chamado Hidroxiureia. Porém, há um procedimento que não está liberado como opção terapêutica no Brasil: o transplante de medula óssea (TMO). A especialista lembrou que os pacientes mais graves e que não respondem ao uso de hidroxiureia são candidatos ao TMO. "É muito importante contarmos com o TMO entre as terapias disponíveis para estes indivíduos. A doença é um problema de saúde pública mundial e não há tratamento específico, sendo o transplante o único que oferece possibilidade de cura, e deve ser utilizado como terapia de salvamento, quando o tratamento tradicional já não surte efeito", defendeu Clarisse.


No caso da doença falciforme, especialistas, doentes e familiares aguardam que o TMO faça parte do rol de procedimentos, em pacientes com falha terapêutica convencional, por meio de publicação de portaria de revisão do regulamento técnico do Ministério da Saúde, que segundo Clarisse, tinha previsão de publicação para setembro deste ano.

Por Catharina Apolinário

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