Doação de sangue salva vidas

Doação de sangue salva vidas

A doação de sangue é permitida pela legislação brasileira para toda pessoa saudável, sem qualquer distinção de raça, cor, sexo ou condição sexual e, mesmo assim, pouco mais de 2% da população doa esse líquido vital anualmente. Por medo, ignorância ou desinformação, esse número dificilmente cresce. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que de 4% a 5% faça doações para que um país possa ser auto-suficiente.


"O problema da falta de doação de sangue vem de muito tempo e é cultural. As pessoas precisam se conscientizar que a doação ajuda a elas também, pois caso elas precisem um dia, os bancos devem estar abastecidos", diz o médico do Hospital das Clínicas e do Instituto Pró-Sangue de São Paulo, Carlos Roberto Jorge. Tudo indica que, por conta de o Brasil não ter passado por grandes guerras ou tragédias que demandassem a doação, não se criou o hábito como em outros países do mundo.

Existem dois tipos de doação possíveis: a dirigida (que é para um paciente específico) e a voluntária (quando o sangue é doado para o hospital e pode ir para qualquer paciente). A doação dirigida, também chamada de reposição, é particular, personalizada e repõe a quantidade de sangue utilizada no tratamento de um parente ou amigo internado. Esse tipo corresponde a 52% das doações, segundo a Fundação Pró-Sangue.

Mas o que as pessoas não sabem é que o sangue coletado é fracionado em plasma fresco, concentrado de hemácias e plaquetas - e apenas o que cada paciente necessitar é enviado para ele. "A partir de uma doação, de três a quatro pessoas são beneficiadas", explica o médico.

O concentrado de hemácias ou glóbulos vermelhos é utilizado no tratamento de anemia, por exemplo. As plaquetas nos casos de hemorragia ou em tratamentos de pessoas com câncer. E o plasma é usado em pacientes com problemas de coagulação.

Todos os tipos de sangue devem ser doados, pois a demanda é muito grande e nada é desperdiçado. "Precisamos de todos os tipos e queremos que haja coleta que supra todas as necessidades. Mas hoje os que mais temos urgência são os de fator Rh negativo", diz Carlos Roberto.

Segundo ele, há uma queda significativa na doação de sangue em épocas festivas e de viagens de férias, como no Natal e no Carnaval. "Infelizmente nesse período as doações diminuem, mas o consumo aumenta", comenta o médico.

Um homem saudável pode doar sangue a cada dois meses, no máximo quatro vezes ao ano. Já a mulher pode doar a cada três meses, sendo no máximo três vezes ao ano.

"A pessoa que doa mais de dez vezes [durante a vida] entra para o "Clube do Doador" e ganha uma carteirinha especial com nome, RG e tipo sanguíneo e também uma medalhinha. Isso é um agradecimento ao ato nobre desse doador", conta Carlos Roberto.

Ainda segundo o médico, quem doa sangue sente um bem-estar pessoal muito grande e quem trabalha na Fundação Pró-Sangue vê isso no rosto dos doadores. "Sou testemunha de que doar sangue salva vidas", finaliza.

Mitos e verdades

Além do problema cultural, há certa dose de ignorância quando o assunto é doação de sangue. A Fundação Pró-Sangue, de São Paulo, desmente certos tabus que afastam as pessoas da coleta, como que a doação ‘engrossa’ o sangue, entupindo as veias, ou ainda ‘afina’ o sangue, provocando anemia.

É importante saber que doar sangue não engorda e nem emagrece e que mulheres menstruadas podem doar sangue normalmente, mas as grávidas estão impedidas até depois do parto. Após o nascimento do bebê, a nova mãe deve esperar pelo menos três meses para nova doação (se o parto for normal). Doar não enfraquece o organismo e não existem riscos de se contrair doenças durante a doação.

Requisitos básicos para a doação de sangue

- Estar em boas condições de saúde

- Ter entre 18 e 65 anos

- Pesar no mínimo 50kg

- Estar descansado e alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação)

- Apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial (Carteira de identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho, Previdência Social ou Passaporte)

Impedimentos temporários

- Gripe: aguardar 7 dias

- Gravidez

- Parto: 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana

- Amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses)

- Ingestão de bebida alcoólica nas 4 horas que antecedem a doação

- Tatuagem nos últimos 12 meses

- Situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis como não usar preservativo com parceiros ocasionais ou desconhecidos: aguardar 12 meses

Impedimentos definitivos

Hepatite após os 10 anos de idade

Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas

Uso de drogas injetáveis ilícitas

Malária

(Fonte: Fundação Pró-Sangue)

Por Juliana Guastella (MBPress)

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