Distúrbios da tireoide: cirurgia só em último caso

Distúrbios da tireoide cirurgia em último caso

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A incidência do câncer de tireoide aumenta e a retirada da glândula também, não se sabe se na mesma proporção. Especialistas alertam que podem estar ocorrendo excesso de operações desnecessárias da glândula, que só deve ser retirada em último caso.

Segundo a presidente da Divisão de Tireóide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Laura Sterian Ward, há evidências sólidas de que estamos operando desnecessariamente grande parte dos pacientes. "Grande parte dos tumores, em torno de um centímetro de diâmetro, não evolui. Em dez anos, 16% deles aumentam três milímetros; 70% permanecem do mesmo tamanho ou diminuem. Poderiam ser observados por ultrassom a cada seis meses."

A probabilidade de um nódulo com padrão suspeito ser maligno é baixa: 10% dos casos. E é um câncer pouco invasivo, o prognóstico da doença é bom e a sobrevida chega a quase 100% em dez anos. Entre os cânceres de tireóide, o mais comum é o do tipo papilífero (80% dos casos), seguido do folicular (10%). Mais raros são os tipos medular e anaplásico.

A tireoidectomia é o tratamento para o câncer, mas também para nódulos suspeitos e bócio, doença que causa o aumento da tireoide. Como há a possibilidade de exagero na indicação de cirurgia, a pessoa diagnosticada deveria ouvir mais de um médico sobre necessidade ou não de tirar a glândula.

A tireoide fica sobre a traqueia e tem a função de produzir hormônios que regulam todo o metabolismo. É regida pela hipófise, glândula na base do cérebro que fabrica o hormônio TSH e estimula a produção de T3 e T4.

Alimentação

Uma dieta com alimentos necessários ao bom funcionamento da tireoide, que requer dosagens equilibradas de um mineral, o iodo, para produzir seus hormônios, pode ser uma boa opção para o controle da glândula.

A quantidade ideal de iodo para um adulto saudável é de 150 a 220 microgramas diárias, que podem ser extraídas dos alimentos. Uma alimentação equilibrada precisa conter níveis corretos de vitamina A e do complexo B, nutrientes antioxidantes, como a vitamina C, tocoferóis mistos (vitamina E), minerais (ferro, cobre, selênio, zinco) e oligoelementos (iodo).

Algas marinhas devem ser incluídas no cardápio porque carregam iodo em sua forma original. O sal também contém iodo em sua forma orgânica, mas, no processo de refino, passa por uma lavagem e vai perdendo algas microscópicas que fixam o iodo natural. Além de iodo, perdem-se outros minerais, como selênio, cobre e molibdênio, que fazem parte do equilíbrio iônico.

Com iodo, cálcio e selênio, esses alimentos são bons aliados da tireoide: algas (um pires de chá duas vezes por semana); abacate (1/4 da fruta duas vezes por semana); ovos (dois ou três por semana); peixes e frutos do mar (uma cumbuca de caldo de peixe com crustáceos uma vez por semana); nozes (duas porções de 15 g três vezes por semana); castanha-do-pará (uma por dia) e sal (uma colher de chá por dia).

É aconselhável incluir, também, abóbora (uma porção de purê por semana), tomate orgânico (um por dia) e cenoura (meia por dia), porque esses vegetais têm vitamina A e carotenoides. Vegetais escuros, como escarola, agrião e rúcula - fontes de vitaminas B, C e betacaroteno, além de cálcio, fósforo e ferro - devem constar na dieta: bastam dois pratos de sobremesa ao dia.

Exercícios físicos

Outra opção para controlar os distúrbios da tireoide é praticar ioga. A ioga é o maestro e as glândulas são os músicos. É importante harmonizar as posturas e as técnicas respiratórias para o funcionamento perfeito e bem orquestrado do organismo.

O "kumbhaka bandha" é um dos mais importantes exercícios respiratórios da ioga, ligado justamente à busca do equilíbrio hormonal. O objetivo do exercício é trabalhar o centro de energia localizado na região do pescoço a fim de esticar e comprimir a tireóide e as glândulas paratireóides.


O exercício pode prevenir e atuar como coadjuvante no tratamento de problemas da tireoide, porque ativa a glândula, estimulando o seu funcionamento. O ideal é praticar pelo menos duas vezes por semana, por dois ou três minutos no início e ir aumentando o tempo aos poucos. Procure orientação profissional e aproveite os benefícios da ioga.

Por Carmem Sanches

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