Distimia - quando o mau humor vira doença

Mau humor constante pode ser indício de distima

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já deixou claro que a depressão será a doença mais comum em todo mundo nos próximos 20 anos, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas. O reconhecimento do mal por parte dos órgãos de saúde, especialistas e da própria população faz com que se descubram outros males ligados a ele, um deles é a distimia.

"Pode-se dizer que a distima é uma espécie de depressão mais branda, com início leve, mas permanece por um ou dois anos sem pausas. Por conseqüência também é um transtorno do humor, pois a pessoa fica triste, irritada e descontente com a vida", explica Eduardo Tischer, psiquiatra e especialista em psicoterapia pela Unifesp.

Sentimentos de insatisfação fazem parte da vida do ser humano, mas quando ele é freqüente e acompanhado de uma tensão a todo momento, pode ser um indício da distima. Alterações bruscas de apetite, sono, disposição, autoestima e concentração, também estão relacionadas ao transtorno. Mas claro que nem sempre uma pessoa brava, que reclama de tudo a todo momento, principalmente quando se trata de novas dificuldades e tarefas, é portador da distimia.

Por isso o diagnóstico muitas vezes é difícil. "Geralmente os sentimentos causam problemas físicos. A ansiedade, por exemplo, traz enxaquecas e até problemas de estômago (gastrite). Nesta hora, o paciente só busca tratar a doença em si, sem saber por quais motivos ela afeta os seus órgãos", esclarece o especialista.

Embora ele atinja cerca de 4% da população mundial, o mal já é considerado um problema de saúde pública e acontece na maioria com as mulheres "entre 20 e 40 anos". Lembrando que a distimia também pode fazer parte da vida dos adolescentes. Mesmo com os "altos e baixos" da idade, o psiquiatra lembra que o fato dos sintomas permanecerem freqüentes por mais de um ano é que vão indicar o problema.

Tischer aponta que o fator genético está entre uma das causas, mas o estilo de vida, principalmente por conta da pressão e competitividade no mercado de trabalho, é sem dúvida bastante relevante. Como conseqüência, as pessoas tendem a se isolar socialmente, além de passar por crises nos relacionamentos.


"Talvez o maior problema seja o próprio diagnóstico. Apesar dela não ter cura, o tratamento auxilia na volta de uma vida com qualidade", acrescenta. Segundo o psiquiatra, o tratamento é feito a base de antidepressivos e estabilizadores de humor, em conjunto com a psicoterapia. Dessa forma, o próprio paciente se conhece melhor e começa a enxergar o mundo de outra forma, descobre o lado positivo dos acontecimentos e tenta ser menos crítico, buscando os prazeres que a vida pode proporcionar, afinal, ninguém quer se tornar uma pessoa rabugenta na velhice, algo comum entre os portadores.

Por Juliana Lopes

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