Depressão: estímulos elétricos são usados no tratamento

Depressão estímulos elétricos são usados no tratam

Foto - Jamie Grill/Tetra Images/Corbis

A depressão atinge 17 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. A doença, caracterizada por uma tristeza profunda, pode ser desencadeada após a pessoa passar por um trauma (morte, divórcio) ou surgir sem causa aparente (neste caso, o motivo estaria associado à carga genética).

Os tratamentos mais conhecidos são terapia e antidepressivos. E agora alguns locais passaram a usar estímulos elétricos para fazer a depressão regredir. Entre os hospitais que aderiram ao procedimento está a Santa Casa de São Paulo. Lá são atendidas pessoas entre 18 e 69 anos, com depressão moderada a grave. As principais contraindicações são cirurgia neurológica prévia com uso de material metálico e crises convulsivas não controladas.

O procedimento consiste em colocar dois eletrodos conectados a um marca-passo na testa do paciente, mais precisamente no nervo trigêmeo, que passa pelo maxilar, mandíbula e perto dos olhos. As ondas elétricas chegam até o sistema nervoso central e regulam o comportamento.

"Este nervo mantém conexões com regiões cerebrais relacionadas com sintomas de ansiedade e depressão. Desta maneira, ele se torna uma ‘ponte de atalho’ entre a pele do paciente e as áreas de disfunção dentro do cérebro", explica Dr. Pedro Shiozawa, coordenador do Laboratório de Neuroestimulação Clínica da Santa Casa de São Paulo.

O paciente recebe de 10 a 15 sessões, sendo uma ao dia durante duas ou três semanas, pulando os finais de semana. E, apesar de pequenos, há efeitos colaterais. Entre eles estão dor de cabeça, sonolência e irritação na pele no local da estimulação.

Segundo o especialista, as respostas são variáveis, mas já a partir do quinto dia é possível que a pessoa comece a sentir a melhora dos sintomas. "Ainda é cedo para saber se as novas técnicas de neuroestimulação poderão substituir o uso de antidepressivos, mas os avanços diários apontam que os resultados são promissores."

Aplicação em casa!

A proposta é que o paciente com depressão comece o tratamento na Santa Casa e faça a manutenção em casa. "Já estão em desenvolvimento e testes iniciais em aparelhos portáteis que poderão ser manuseados pelos pacientes após orientação médica. Desta maneira, ele poderá fazer a estimulação durante o seguimento em sua própria casa com mais conforto", conta Dr. Paulo.

Tratamentos com estímulos elétricos não são recentes. O médico da Santa Casa conta que há relatos do uso médico da neuromodulação mesmo antes da invenção de formas controladas de armazenamento e descarga de energia elétrica. Scribonius Largus, médico do imperador romano Claudius (43-48 DC), por exemplo, descreveu a aplicação da descarga elétrica do "peixe-torpedo" para o tratamento da cefaleia.


Por Juliana Falcão (MBPress)

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