Depressão custa caro

Depressão custa caro

A depressão custa caro ao Estado e a pessoa que ela acomete. Além do desemprego, há a diminuição da produtividade. Já os atendimentos hospitalares, remédios, exames, consultas médicas e tratamentos só aumentam. A psiquiatra Alexandrina Meleiro, doutora em medicina pelo departamento de psiquiatria Faculdade de Medicina da USP explica: "A maioria dos países destina pouca verba ao tratamento dessa enfermidade em comparação com o impacto que ela causa na saúde de uma nação", afirmou.

Precisar o custo destes fatores ao governo ou aos pacientes é difícil, mas alguns levantamentos conseguem apontar esses números, que são bastante importantes e impactantes. "A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que 340 milhões de pessoas sofram de depressão em todo mundo", informou Alexandrina.

A OMS afirma ainda que cerca de 14% do ônus mundial causado por doenças são atribuídos a distúrbios neuropsiquiátricos, em sua maioria devido à natureza incapacitante da depressão e outros problemas mentais. Um estudo realizado nos EUA estimou que a depressão custa anualmente cerca de US$ 83 bilhões, entre perda de produtividade, custos diretos e relacionados a suicídio.

O paciente depressivo fica totalmente incapacitado para trabalhar ou conduzir suas atividades normais por 35 dias ao ano. Além disso, a diminuição do desempenho profissional responde por 81% dos custos e há estudos ainda que mostram que 44% dos pacientes com depressão têm sua capacidade de trabalho comprometida, enquanto 11% atribuem o desemprego à enfermidade.

Alexandrina fala sobre a questão do suicídio. "Quando se trata de suicídio, de 10% a 15% dos pacientes com depressão o comete, um índice três vezes maior do que o da população geral," comparou. Os distúrbios mentais também são apontados como causas importantes de incapacidade e dependência em longo prazo. A OMS atribui 31,7% do total de anos de incapacitação a doenças neuropsiquiátricas, sendo que destas, as principais são: Depressão unipolar (11,8%), Alcoolismo (3,3%), Esquizofrenia (2,8%), Depressão bipolar (2,4%), Demência (1,6%).


Uma estimativa apontava que em 2020 a depressão seria a segunda causa de incapacidade no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares. "Não à toa, essa estimativa foi superada cerca de 10 anos antes do previsto", alertou. A doutora afirma que para reverter esse quadro o paciente deve receber o diagnóstico correto o mais cedo possível. "O passo seguinte seria um acompanhamento médico, com psicoterapia e o tratamento mais adequado ao paciente", disse.

Por Catharina Apolinário

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