Dengue na gravidez

Dengue na gravidez

Temperaturas altas e chuvas intensas trazem mais uma vez o mosquito da dengue e os riscos da doença em todo país. Por conta do aumento dos casos, mais de cem municípios brasileiros estão em estado de alerta.

Outra má noticia é que estados como Acre, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul e Rondônia, além do Distrito Federal, já declararam situação de epidemia. Desta vez há outro agravante em relação à doença. O vírus tipo 1, apenas registrado há dez anos, voltou a circular entre as pessoas. E possivelmente está relacionado ao aumento de casos, pois a população não tem imunidade contra ele.

A transmissão acontece por meio do mosquito (Aedes aegypti) que após um período de 10 a 14 dias, contados depois de picar alguém contaminado, pode transportar o vírus da dengue durante toda a sua vida. Na dengue clássica são detectados os seguintes sintomas: febre alta com início súbito, forte dor de cabeça, dor atrás dos olhos que piora com o movimento dos mesmos, perda do paladar e apetite, manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo, principalmente no tórax e membros superiores, náuseas e vômitos, tonturas, extremo cansaço, moleza e dor no corpo, além de dores nos ossos e articulações.

Geralmente, a dengue hemorrágica é semelhante. A diferença ocorre quando acaba a febre e começam a surgir os sinais de alerta como dores abdominais fortes e contínuas, vômitos persistentes, pele pálida, fria e úmida. E ainda sangramento pelo nariz, boca e gengivas, sede excessiva e boca seca, além de perda respiratória. Na dengue hemorrágica é preciso bastante cuidado porque o caso se agrava muito rápido, levando insuficiência circulatória e choque, podendo levar a pessoa à morte em até 24 horas.

Os sintomas dos dois tipos de dengue ocorrem igualmente em mulheres grávidas. Mas como durante a gestação a imunidade é menor, elas devem redobrar os cuidados, principalmente no caso da dengue hemorrágica. O obstetra Marcelo Guimarães Rodrigues, explica que se ela for contraída no início da gravidez há riscos de ocorrer o aborto. Isso acontece porque a mulher tem a diminuição das plaquetas responsáveis pela coagulação sanguínea. "Sem o controle do sangramento há o descolamento de placenta e o abortamento", explica.

Conforme o obstetra, a dengue não é transmitida para o feto durante a gravidez. Mas existe a possibilidade dela ser contraída no final da gestação, uma semana antes do parto. "A chamada transmissão vertical acontece via placenta", diz. A mãe fica com febre, mãos e pés roxos, mas isso não compromete o parto. Ela recebe cuidados redobrados para que se evite hemorragias, convulsões e problemas no fígado, nos casos mais graves. Já o filho nasce com os sintomas clássicos, entre eles, febre e tremores. "Também placas avermelhada, mas logo é tratado e consegue se recuperar bem", acrescenta.

Durante a gestação, a dengue não é responsável por comprometer o desenvolvimento do feto. "Não causa má-formação ou complicações cardíacas, apenas pode ser responsável por um parto prematuro". Rodrigues explica que a prevenção é feita com repelentes. As futuras mamães também devem ficar atentas aos focos dos mosquitos na própria casa e no bairro em que moram.

Seja para as futuras mamães ou para toda família, uma boa forma de prevenção é usar espirais ou vaporizadores elétricos, que devem ser colocados ao amanhecer ou no final da tarde, horários em que os mosquitos mais picam. Telas de proteção em portas e janelas e mosquiteiros a noite também são eficazes.


"Nos casos de dengue clássica, o tratamento é feito à base da ingestão de água, soro caseiro e repouso. Os medicamentos para alívio dos sintomas, principalmente dor e febre, devem ser sempre prescritos pelo médico", afirma o obstetra. Quem já contraiu a dengue clássica e está novamente com os mesmos sintomas deve buscar imediatamente atendimento médico, pois os riscos de ser o tipo hemorrágico são grandes.

Por Juliana Lopes

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