Corpos estranhos no aparelho digestivo

Corpos estranhos no aparelho digestivo

As condutas terapêuticas em situações de urgência e emergência provocadas pela ingestão de corpos estranhos, que vão desde ossos de frango, espinhas de peixe, até bolas de gude, peças de brinquedos, agulhas e alfinetes, entre outros, foram discutidas pelos endoscopistas digestivos durante a X Semana do Aparelho Digestivo (SBAD), que aconteceu em Porto Alegre (RS).

Ao entrar pela boca, o alimento depois de mastigado, percorre o aparelho digestivo para que o organismo extraia seus nutrientes. Mas, e quando o que é ingerido é um corpo estranho? Como fazer para salvar a pessoa, seja criança, adulto ou idoso, de um sufocamento e, até mesmo, da morte?

Segundo Júlio Pereira Lima, presidente da regional do Rio Grande do Sul da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), alguns erros muito comuns são cometidos na hora de tentar ajudar.

"Normalmente, o primeiro impulso é bater nas costas da pessoa ou colocar os braços ao redor do tronco e pressionar o abdômen para que o corpo estranho seja expelido. Entretanto, estas medidas podem na verdade levar o indivíduo a engasgar e até aspirar o objeto e ele ir direto para o pulmão, impedindo-o de respirar", alerta o especialista.

Pereira Lima explica que a primeira medida deve ser sempre procurar um serviço de atendimento de urgência para que então, por meio do endoscópio, o endoscopista possa verificar em qual local o corpo estranho se alojou e retirá-lo sem comprometer o aparelho digestivo ou qualquer outro órgão do paciente.

"Caso não haja tempo, é possível tentar fazer a pessoa expelir virando-a de cabeça para baixo e bater nas costas. É raro, mas pode funcionar", relata.

O endoscopista conta ainda que nas cidades onde o consumo de carne e aves é maior, idosos costumam engolir com frequência fragmentos de ossos de galinha. Entretanto, a maior parte das ocorrências é nas crianças de até cinco anos.


"Costumamos ver as coisas mais inusitadas, cabeças de bonecos ‘playmobil’, moedas, pilhas e baterias. Sabemos que nem sempre os pais podem ficar atentos e os pequenos engolem estes objetos mesmo. A única forma de retirá-los com segurança é a endoscopia digestiva", finaliza o especialista.

Por Jessica Moraes

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