Como funciona o processo de congelamento de óvulos?

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Muitas mulheres têm vontade de ser mãe, mas acabam adiando os planos, seja por motivos emocionais ou profissionais. E isso é bem comum nos dias de hoje. A questão é que depois dos 35, a quantidade de óvulos diminui e a fertilização também fica mais difícil. Após essa idade, a mulher fica mais suscetível a sofrer abortos e gerar fetos com má formação. No entanto, para esses casos, o congelamento de óvulos pode ser uma solução.

Nesse método, a retirada dos óvulos é feita por meio de aspiração transvaginal e o óvulos são armazenados e congelados em nitrogênio líquido. Antes dessa retirada, a mulher é submetida a uma sobrecarga de hormônios, feita por meio de injeções, para estimular a produção de óvulos. Após o descongelamento a fecundação é feita por fertilização in vitro, isto é, os óvulos e os espermatozóides são colocados em uma incubadora, onde ocorre a fecundação, que deve ser repetida até três vezes por garantia.

Em alguns casos, quando há pouca quantidade de espermatozóides, é realizada a injeção Intracitoplasmática de espermatozóide, quando os óvulos são fecundados por injeção dos espermatozóides.

A introdução do embrião no útero é feita com um catéter flexível, pela vagina da mulher, sem ser necessária a anestesia. Após o procedimento, é preciso repousar por cerca de 20 minutos e após esse período, a mulher está liberada para voltar às atividades normais.

Após a transferência dos embriões, eles precisam ser monitorados. No quinto dia, é feito um exame de sangue e no décimo primeiro também, juntamente a um teste de gravidez. Esse exame detecta possíveis problemas para que sejam tomadas as devidas medicações.

Vantagens do congelamento de óvulos

Luiz Carvalho, médico do centro de Reprodução Humana do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, explica que qualquer mulher pode congelar os óvulos, desde que tenha potencial fértil. Para que o congelamento seja feito, é realizada uma bateria de exames para identificar porque aquele casal não consegue engravidar ou se há algum tipo de risco para a mulher caso ela venha concretizar a gestação. "Quando uma paciente nos procura dizendo que quer ser mãe, traçamos o perfil dela e começamos a pesquisar se ela está em condições de fazer o tratamento. Os exames são realizados em cima de seus históricos, mas os básicos que pedimos são os de sangue, avaliação das trompas, ultrassonografia pélvica e transvaginal", diz o médico.

Ok, congelar os óvulos pode ser uma solução para quem quer ser mãe depois dos 35, mas mesmo assim, o método ainda tem suas limitações. "Embora os óvulos fiquem numa temperatura abaixo dos 80 graus, após cincos anos congelados, eles podem perder a qualidade e a mulher não conseguir engravidar tão facilmente na fertilização". E o recomendado é doar até os 35 anos, justamente por a produção ser mais abundante nesta fase. Carvalho conta que no Brasil não há casos de óvulos congelados por mais de dez anos.

O especialista afirma que não há contra-indicações para este tratamento, mas é preciso entender que o processo pode ser doloroso para a mulher. Em casos mal sucedidos, pode haver super produção de óvulos, conhecida como a síndrome do hiperestímulo ovariano. Essa síndrome aumenta o acúmulo de líquidos e dá dores no abdomen e em casos raros, esse líquido pode chegar à membrana que envolve o coração. A mulher deve então ser hospitalizada. Os órgãos vitais chegam a parar de funcionar normalmente e o organismo fica desidratado.

Quanto aos custos, ele ressalta que os valores dependem de cada tratamento e da política de cada clínica. Há os custos do congelamento dos óvulos, das injeções de hormônio e da fertilização in vitro. É importante lembrar que mulheres interessadas neste tratamento devem olhar atentamente para os pacotes sugeridos, já que alguns cobrem o processo de descongelamento e outros não.


Portanto, para entender melhor a questão dos gastos com a reprodução humana, mulheres que congelam os óvulos e, futuramente, resolvem descongelar irão pagar por este processo final, se ele não estiver citado na cláusula de contratação do tratamento.

Por Kelly Jamal

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